Os 11 garimpeiros mortos em um suposto conflito com índios dentro do Parque Indígena do Tumucumaque, na fronteira do Amapá com o Pará, na terça-feira, foram assassinados com flechas. O índio e enfermeiro da Funai (Fundação Nacional do Indio) Anakare Apalay disse que os garimpeiros eram todos brasileiros, mas não soube definir a etnia dos índios agressores. O relato do enfermeiro foi passado por rádio para a Missão Tirió, situada a cerca de 45 quilômetros da área do conflito e onde a Polícia Federal e a Funai montaram uma base para fazer investigações sobre as mortes dos garimpeiros.
Até as 18 horas de ontem, a PF e a Funai não tinham conseguido chegar ao local onde ocorreu o crime. A região é de difícil acesso e somente é possível se chegar lá por meio de helicóptero, a pé ou por canoa. O helicóptero da FAB (Força Aérea Brasileira), deslocado para o reconhecimento da região do conflito, teve problemas mecânicos, não pôde levantar vôo e permanece na Missão Tirió.
Os trabalhos de investigação têm sido marcados pela falta de infra-estrutura da Funai e da PF. Como a Funai está inadimplente com três empresas de táxi aéreo de Macapá, o deslocamento para a aldeia Tirió só foi possível porque o governo do Estado cedeu um de seus aviões. A comunicação da capital com a aldeia também é precária, já que os equipamentos de rádio da Funai são obsoletos.
Em uma reunião realizada ontem na Missão Tirió, líderes indígenas de 12 aldeias da região relataram à PF e à Funai que já tinham percebido a presença de garimpeiros na região do conflito, desde setembro passado. Eles disseram que o chefe dos garimpeiros que atuam na área é conhecido como ‘‘Picol钒. Há seis meses a Funai expulsou um grupo de garimpeiros que atuava na região sul da reserva indígena.
O chefe do 16.o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), José Armindo Pinto, disse que a Constituição brasileira proíbe a presença de garimpeiros e mineradoras na região. ‘‘Infelizmente, não temos condições materiais de exercer qualquer fiscalização nesta área, extremamente cobiçada por garimpeiros e mineradoras.
Segundo ele, a região do confronto é rica em reservas minerais, principalmente em ouro, e está situada na ‘‘fronteira morta , entre o Brasil e o Suriname. Armindo Pinto afirmou que é comum índios e garimpeiros do Suriname e do Brasil trafegar de forma nômade nessa área.
O presidente da Associação dos Povos Indígenas do Tumucumaque, Missico Oiampi, disse que garimpeiros estão invadindo áreas da reserva há pelo menos 15 anos.

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