Garib não deverá ser ouvido amanhã por Conselho de Ética
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domingo, 04 de abril de 1999
Por Fred Ferreira 
São Paulo, 05 (AE) - O deputado estadual Hanna Garib (sem partido) não deverá ser ouvido amanhã (06) pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembléia Legislativa. Ele condicionou sua presença no conselho -- que analisa preliminarmente o eventual envolvimento do ex-vereador na máfia dos fiscais da prefeitura -- à apresentação das acusações que serão conduzidas pela comissão.
"Não admito a hipótese de defender-me sem saber quais são os fatos ou atos de cuja consumação participei que estão sendo investigados pela Assembléia", argumentou Garib, em petição ao conselho. A comissão teria até às 13h de amanhã para apresentar as acusações. Mas o presidente, Carlos Henrique Sampaio (PSDB) adiantou que não irá apresentar as acusações "novamente" a Garib.
O deputado afastado do PPB marcou entrevista coletiva com a imprensa, hoje, na Assembléia, mas não compareceu. Em seu lugar, estiveram os seus advogados, Alberto Rollo e Paulo Sérgio Fernandes. Rollo preparou um verdadeiro "dossiê" em defesa de Garib, que será enviado aos 132 desembargadores do Estado, a 93 deputados estaduais, aos 60 conselheiros da OAB, e para toda a mídia. "Garib. Culpado ou Inocente? Convite à Reflexão", é a capa do relatório preparado pelo deputado.
Rollo afirmou que Garib é "vítima de perseguição da imprensa", que pretende atingir o ex-prefeito, Paulo Maluf, "talvez para vingar-se do dossiê Cayman" -- documentos que envolveriam o alto escalão tucano em contas no Exterior, durante as eleições presidenciais do ano passado.
O relatório inocenta o ex-vereador, no primeiro capítulo, em relação às acusações do líder dos camelôs, Afonso José da Silva. "Arrecadar dinheiro de comerciantes para campanha eleitoral não é crime", diz o texto. "Eleger parlamentar para trabalhar na direção de afastar a camelotagem ilegal das ruas não é crime", continua. Sobre o envolvimento do deputado na tentativa de homicídio a Afonso, Rollo declarou: "Isso deve ser briga de camelô, não há indícios da participação de Garib."
O relatório segue rebatendo as acusações de que Lula e Arnaldo entregavam, pessoalmente, dinheiro ao então vereador Hanna Garib. "A única conclusão possível é que as acusações não são sérias", lê-se no capítulo II do relatório. O capítulo III do dossiê em defesa de Garib discute os depoimentos prestados na 2ª Delegacia Seccional de Polícia.
O quarto capítulo, intitulado "Gilberto, o Milionário", rebate acusações de Gilberto Monteiro da Silva, presidente da Associação dos Camelôs Independentes de São Paulo.
O relatório traz ainda outros três capítulos: "O Lixo", "Os Boquirrotos" e, ainda, "A Campanha". Este último enumera todas as manchetes de jornais sobre o caso: "Nunca, na história recente do Brasil, houve notícia de campanha tão completa e total contra uma figura pública, como aquela movida contra Hanna Garib", diz o documento. O advogado Alberto Rollo disse também que ainda não tem informações a respeito do envolvimento de familiares de Garib na administração do Anhembi.
Para Rollo, existe uma "absoluta falta de provas" nas acusações contra Garib. "É tudo lixo jurídico, estão jogando com a mídia", avaliou o advogado. Para ele, há três pontos de acusações contra o deputado: "O processo, no Tribunal de Justiça, que a meu ver está parado por falta de evidências; a CPI na Câmara -- de quem duvida da condução dos trabalhos pelo vereador José Eduardo Martins Cardoso, do PT -- e o processo preliminar de cassação do mandato do deputado aqui na Assembléia. E concluiu: o MP não tem prova nenhuma.


