Garib deixa de enviar defesa por escrito à CPI
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domingo, 02 de maio de 1999
Por Jobson Lemos 
São Paulo, 03 (AE) - O deputado estadual Hanna Garib (suspenso do PPB) não apresentou defesa por escrito à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais.
Acusado de comandar o esquema de cobrança de propinas da Administração Regional da Sé, que controlava politicamente quando era vereador, o deputado tinha até hoje, às 19 horas, para se defender das denúncias na CPI.
De acordo com o presidente da CPI, vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT), a situação do deputado deve ficar prejudicada. Isso porque ele se recusou a comparecer por duas vezes na CPI e não enviou defesa.
Antes dos depoimentos de hoje, Cardozo comentou o documento enviado pelo advogado do deputado à comissão, Alberto Rollo, em que alegava que a convocação de Garib pela CPI é inconstitucional. Cardozo discordou: "É descabida a alegação do deputado."
Segundo ele, o documento entregue pelo advogado também menciona a coação de testemunhas por parte dos membros da CPI. Cardozo disse não ser capaz de compreender a que se referia o deputado. "O documento não menciona fatos concretos, fala apenas em produção hollywoodiana."
Amanhã, a CPI vai dedicar-se a encerrar o relatório parcial referente à AR-Sé. Nele, os integrantes da comissão devem concluir pela falta de decoro parlamentar de Garib. Depois de fechado, o relatório parcial deverá ser votado pelos membros da CPI.
As denúncias de que Garib comandava o esquema de corrupação na Sé foram confirmadas em depoimentos prestados à polícia e à CPI, por camelôs, fiscais e funcionários da regional. Eles o acusaram de ter conhecimento das propinas e benificiar-se delas.
O relatório da CPI será entregue à Assembléia Legislativa, cujo Conselho de Ética analisa as denúncias contra Garib.
A Polícia Civil apreendeu há duas semanas cheques, canhotos de cheques e agendas do camelô Nélson Augustaitis, que disse à polícia e à CPI ter presenciado conversa em que Garib, quando vereador, tomou conhecimento de que os fiscais recebiam propina. Segundo Augustaitis, Garib queixou-se não da cobrança, mas do fato de os funcionários receberem o pagamento em cheque.


