Garib antecipa que recorrerá à Justiça caso tenha seu mandato cassado pela AL
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domingo, 18 de abril de 1999
Por Fred Ferreira, especial para a AE 
São Paulo, 19 (AE) - A cassação do mandato do deputado estadual Hanna Garib (suspenso do PPB) deverá ser decidida, em última instância, pelo Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo. Mesmo que o parlamentar seja cassado no plenário da Assembléia Legislativa, Garib e seus advogados garantem que contestarão a perda do mandato na Justiça. "Claro que vou recorrer", garantiu o deputado. "Qual é o crime que eu cometi durante meu mandato parlamentar?", indagou Garib, que não vê "quebra de decoro parlamentar".
Depois que a Mesa da Assembléia representar formalmente contra Garib, visando a perda de seu mandato parlamantar - com base no relatório preliminar aprovado por unanimidade no Conselho de Ética - o presidente da Assembléia, deputado Vanderlei Macris (PSDB) ligou para o deputado para garantir seu "amplo direito à defesa". Hanna Garib não se convenceu da isenção dos colegas parlamentares. O deputado deverá ir à Justiça caso tenha seu mandato cassado em plenário.
"Não posso concordar em ser crucificado, sem que o Poder Judiciário possa julgar-me em processo cercado das garantias constitucionais de ampla defesa", adiantou. Para ele e seu advogado, Alberto Rollo, o relatório preliminar feito pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar "não prova nada". "Acredito que no nosso País alguém só pode ser condenado através de processo judicial em que lhe assegurem o direito de defesa", avisou o deputado em seu livreto "Hanna Garib, culpado ou inocente? Um convite à reflexão". O documento é uma prévia da defesa do parlamentar.
"Por enquanto ainda não fomos à Justiça, mas estamos de prontidão", adiantaram os advogados de Garib. A defesa do deputado julga que a "campanha" da imprensa contra Garib influencia a opinião pública e, consequentemente, os parlamentares. "Há uma massificação da imagem do deputado como culpado, que acaba contagiando os colegas do Legislativo". "Verifiquei que é inútil pretender dar a minha versão dos fatos aos mesmos órgãos da imprensa que me acusam, pos o resultado é sempre distorcido, e nunca posso atingir o objetivo de defender-me", diz. "As autoridades policiais e ministeriais que presidem a investigação não se dignaram a ouvir-me, apesar de ter-me oferecido para isso há muito tempo", afirmou Garib.
"Chega de eu acho, isso é um absurdo", disse o advogado, referindo-se aos depoimentos prestados pelas testemunhas na Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Municipal e no Ministério Público. "Está claro que estão prejulgando". O parlamentar considera as acusações "distorcidas, manipuladas por interesses inconfessáveis, e divulgadas com estardalhaço". "A defesa aí fica muito mais difícil", afirma ele. "Mas nem por isso abrirei mão de defender minha honra e o mandato que me outorgou o eleitorado paulista".
O deputado tem, a partir de amanhã (20), cinco sessões para apresentar sua defesa escrita ao Conselho de Ética. O processo de cassação de Garib poderá ser concluído em dois meses
de acordo com Macris.


