Garçonete diz que cheiro era insuportável
Rio - Dois minutos antes da explosão no restaurante Filé Carioca, no Centro do Rio de Janeiro, a garçonete Daniele Cristina Antunes Pereira, de 18 anos, telefonou para o marido, o vigia Edivaldo Santos da Silva, 30. Ela contou que o cheiro de gás estava ''insuportável'' e que aguardava do lado de fora para ser liberada do trabalho, junto com outros funcionários. Não deu tempo. Daniele não conseguiu escapar.
''Me ligaram em seguida dizendo que ela estava ferida. Eu não acreditei'', disse Edivaldo, que buscava informações sobre a mulher no Hospital Souza Aguiar. Atingida no tórax e nas pernas, Daniele foi submetida a uma cirurgia vascular e ortopédica que durou mais de três horas. No fim da tarde de ontem, ainda em estado grave, foi levada para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI). Dos 17 feridos, outros cinco além de Daniele permaneciam internados, dois em estado grave. Ela telefonara para o marido do orelhão destruído pela explosão.
''Graças a Deus eu cheguei atrasado'', disse o entregador Antônio Júnior dos Santos, 29, funcionário do Filé Carioca há 4 meses. Ele ficou preso em um engarrafamento. Quando conseguiu chegar ao trabalho, por volta de 8 horas, o local já havia ido pelos ares. Santos deu de cara com os corpos de dois colegas estirados na Praça Tiradentes, o chefe de cozinha e o sushiman do restaurante. ''Foi uma desgraça. Estava até difícil de reconhecer. Nunca pensei que ia perder eles assim. Não acreditei no que estava vendo'', comentou o entregador.
O vigilante e atendente Rubens Barbosa de Souza também teve a sorte de chegar atrasado para trabalhar. ''Nunca mais vou reclamar do trânsito na Avenida Brasil''.(A.E.)





