Garantia de emprego é ponto difícil na renegociação do acordo
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domingo, 16 de maio de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 17 (AE) - Não há consenso ainda sobre estabilidade no emprego entre montadoras e trabalhadores para uma eventual retomada do acordo emergencial. Numa reunião que durou mais de três horas hoje, os representantes da indútria não aceitaram a reivinicação dos dirigentes sindicais por estabilidade até novembro e garantia de emprego também aos trabalhadores que estão em regime de suspensão temporária.
As montadoras só querem garantir emprego por um período entre 60 e 90 dias. "Este setor será o primeiro e único do Brasil a garantir preços e emprego; há uma dificuldade grande em chegar a um período tão longo", disse o presidente da associação Nacional dos fabricantes de Veículios Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto.
Os sindicalistas da CUT e da Força Sindical, presentes a reunião, também reclamaram da ausência dos representantes do setor de autopeças.
A questão da exclusão dos trabalhadores em regime de suspensão temporária é mais complicada porque eles estão praticamente concentrados em uma única empresa - a Ford. Nesta montadora, 1.300 operários de São Bernardo do Campo e outros 520 da fábrica de caminhões do Ipiranga foram suspensos do trabalho temporariamente e podem ser demitidos a qualquer momento. Há outros 91 na General Motors.
Segundo Pinheiro Neto, esta questão seria resolvida mais facilmente se este número de trabalhadores estivesse diluído em mais empresas.
Montadoras e trabalhadores esperam que o governo federal sinalize com uma reunião ainda esta semana. Mas, o governo não quer retomar as negociações do acordo sem concluir a auditoria nas contas das montadoras.
A cargo da Trevisan Consultores, essa avaliação seria entregue ao governo ainda hoje (17). A idéia é checar a real necessidade dos aumentos de preços de até 9,98%, em vigor há duas semanas.
Segundo o presidente da Anfavea, a industria não aceita retomar as negociações se o governo exigir a suspensão destes reajustes. Caso o acordo emergencial não seja renovado, o governo elevará o IPI até o final do mês, o que significará um novo aumento de preço.
O governo já cogitou, durante as negociações com o setor
elevar o IPI de forma gradual ao longo de 90 dias. Durante esse período as montadoras concederiam bônus para aliviar o impacto.
Rio - O governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT), já se comprometeu a reduzir o ICMS dos carros de 12 para 9%, segundo Pinheiro Neto. O presidente da Anfavea disse que a promessa foi feita numa reunião na semana passada.
Até sexta-feira, a assessoria de Garotinho não havia confirmado a disposição do governador em seguir medida já tomada pelo governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB).
As montadoras decidiram por uma espécie de campanha pela redução do ICMS em outros estados. A próxima reunião será com o governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL). Segundo Pinheiro Neto, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB) também será incluÍdo nesta série de visitas.


