O governo federal decidiu usar parte dos ganhos extras das estatais para custear a implantação do Plano Nacional de Segurança Pública. Diante da exigência de cumprir as metas impostas pelo ajuste fiscal e do corte de R$ 7,4 bilhões feito no Orçamento deste ano, a alocação de recursos tornou-se a principal dificuldade enfrentada pelo Palácio do Planalto para fazer o programa.
‘‘Os recursos já foram identificados pela área econômica, não há hipótese do descumprimento das metas’’, informou ontem o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente. ‘‘As estatais tiveram resultado acima do previsto’’, justificou. Ele tentou minimizar as resistências impostas pela equipe econômica, que vinha condicionando a destinação de mais recursos para os Estados à manutenção do ajuste. Essa orientação já custara ao governo o corte no Orçamento, que não poupou sequer setores como saúde e educação. ‘‘Era preciso fazer as contas direitinho, para ter certeza de que estavam corretas e não prejudicar o ajuste’’, desconversou Parente.
A pressão política venceu a área econômica e o presidente manteve o investimento de R$ 702 milhões neste ano - dos quais R$ 235 milhões serão destinados ao treinamento e reaparelhamento das polícias estaduais - e a determinação de que a previsão de dinheiro para o plano seja incluída no Orçamento do ano que vem. Serão R$ 2,9 bilhões até 2002.

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