Uma briga entre lutadores de academias supostamente rivais e seguranças na saída da casa de espetáculos Metropolitan, no Shopping Via Parque, Barra da Tijuca, terminou com a morte da babá Neila Ribeiro da Silva, de 21 anos. Ela foi atingida nas costas por uma bala perdida durante o tiroteio que se seguiu a pancadaria ocorrida no local. A confusão aconteceu após a gravação de um show comandado pela apresentadora Angélica, ontem de madrugada.
A tumulto começou por volta da 1 hora e durou cerca de meia hora. Segundo testemunhas, havia cerca de 150 pessoas envolvidas na briga (a lotação do show foi de 12 mil). A polícia chegou após o tiroteio e recolheu os seis revólveres calibre 38 utilizados pelos 25 seguranças do shopping envolvidos na confusão para exame de balística.
Pela manhã, foram encontradas no local oito cápsulas e projéteis de diferentes calibres (40 e 32). Paredes tinham marcas de tiro e sangue. Roletas e um painel foram destruídos. A polícia não identificou nenhum responsável.
Moradora de Padre Miguel, na zona oeste da cidade, Neila morreu a caminho do hospital. Ela foi baleada quando estava abraçada com a irmã, Shirlei, de 19 anos, que prestou depoimento ainda durante a madrugada. Shirlei contou que as duas correram e procuraram se proteger, quando Neila sentiu um impacto nas costas e viu o sangue começar a escorrer.
‘‘Primeiro pensei que fosse brincadeira’’, disse. O tiro atravessou e saiu na altura do peito. Neila cuidava de quatro crianças em Xerém, na Baixada Fluminense. Fã de pagode, axé e samba, faltou ao trabalho para ir ao show. Cursaria a 7ª série no ano que vem.
De acordo com um telefonema anônimo feito durante a madrugada para a 16ª Delegacia Policial, o motivo da briga seria a rivalidade entre lutadores de jiu-jitsu do condomínio Barra Sul e gangues de Santa Cruz, na zona oeste. Instrutor da luta e morador há 18 anos do condomínio, Marcelo Cavalcanti, de 27 anos, nega, porém, essa versão. ‘‘Isso é preconceito, não foi ninguém daqui’’, afirmou.
Gangues do condomínio são acusadas de ter invadido, há cerca de um mês, uma festa no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste, que terminou em pancadaria.
O ator Bruno de Luca, de Malhação, da Rede Globo, estava no show. Seu pai, Tony, apresenta outro relato da história. Segundo ele, o tumulto ocorreu mesmo na saída, mas os seguranças seriam os culpados. ‘‘Eles bateram muito, o Bruno está apavorado’’, afirmou.
‘‘Era muito tiro, tivemos de esperar do lado de dentro até abrirem a saída de emergência e
muita gente desmaiou’’, contou a garota Luciana Montanari. Segundo ela, os seguranças foram agressivos e não deixavam as pessoas que haviam saído entrar de novo para se proteger do tiroteio. ‘‘Ninguém sabe como começou, foi um tumulto generalizado e todo mundo debandou’’, disse o
delegado-substituto da 16ª DP, Antônio Serrano. Ele acredita, porém, na hipótese de briga
entre gangues rivais de jiu-jitsu. O delegado criticou o supervisor de segurança, Carlos Santos, pelo fato de que só havia 25 homens no local. ‘‘Deveria haver pelo menos mil’’, afirmou. Para ele, o principal é identificar o autor do disparo que atingiu a babá.
‘‘A situação foi controlada pela PM, sem o envolvimento das equipes de segurança do shopping e do Metropolitan’’, afirma, em nota oficial, a administração do Via Parque. Dentro da casa de shows havia cerca de 100 seguranças. O enterro de Neila está previsto para hoje, às 11 horas, no cemitério de Padre Miguel.

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