Rio, 28 (AE) - O presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), brigadeiro Mauro Gandra, afirmou hoje que as empresas aéreas regionais foram as mais afetadas pela desvalorização do real, a partir de janeiro. Gandra explicou que a maior parte destas companhias têm aparelhos comprados em regime de "leasing" (arrendamento com prestações corrigidas em dólar).
O brigadeiro informou que a TAM, por ter também muitos aparelhos comprados por leasing, também foi muito afetada pela desvalorização. A Varig, segundo ele, por ter aviões próprios, sofreu menos. Gandra informou que, depois do recuo do valor do dólar em relação ao real, houve aumento de passageiros transportados pelos aviões, após a queda de 40% das reservas em fevereiro. No entanto, ele não soube dar números concretos sobre a recuperação.
Gandra informou esperar um aumento de 9% nas passagens aéreas nesta semana, mas até o fim da tarde de hoje, não havia recebido ainda nenhuma comunicação oficial do Departamento de Aviação Civil (DAC). O departamento informou também que não recebeu nenhum comunicado oficial sobre o assunto do Ministério da Fazenda, a quem cabe fixar o preço das passagens.
Se o aumento for concedido, será o segundo reajuste das passagens aéreas desde o início do Plano Real. O anterior, de 13 5%, foi determinado há três anos. O DAC informou que o Snea enviou pedido de aumentos que variavam de 16% a 28%, mas preferiu recomendar o índice de 10,8%, há quase dois meses.
Assim como o reajuste de 9%, o índice sugerido pelo DAC também não agradou as empresas, segundo Gandra. Ele informou que o departamento não levou em conta o aumento de custos com o aumento salarial dado pelas empresas em 1997, nem a alta do Cofins, além do reajuste dos serviços da Infraero. "A situação está péssima, com todas as empresas no vermelho", alertou.

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