Um problema que incomoda, atrapalha relacionamentos, mas não depende da vontade da pessoa. A gagueira atinge 10% da população mundial, mas pode desaparecer, principalmente se o tratamento começar na infância. A gagueira na infância é o tema abordado na campanha deste ano da Associação Brasileira de Gagueira (ABRA-Gagueira) em parceria com outras instituições.
Em Londrina, o curso de fonoaudiologia da Universidade Norte do Paraná (Unopar) presta atendimento à população para esclarecer sobre este distúrbio de fala e divulgar as possibilidades de tratamento. ''O objetivo é atingir o público que lida com a infância, pais e professores, para que estes tomem as condutas adequadas, que aos primeiros sinais busquem orientação profissional'', ressalta a coordenadora do curso de fonoaudiologia, professora Rosinei Cernescu.
As disfluências podem surgir muito cedo na fala de algumas crianças. Os casos mais comuns são de repetições de parte de palavra, como ''V-v-você quer brincar?'' ou ''Vo-vo-você quer brincar?''; de prolongamentos, como ''Eu ffffui na escola'' e bloqueios, quando a fala parece presa. Ela explica que a causa da gagueira ainda é desconhecida, mas hoje já se sabe da influência dos fatores hereditários. ''Hoje acredita-se na multicausalidade. Há o fator genético, mas também outras causas, como traumas emocionais'', ressalta.
A gagueira geralmente começa entre 2 e 4 anos de idade. Na maioria das crianças ocorre melhora espontânea em curto espaço de tempo após o aparecimento dos primeiros sintomas. Entretanto, os pais, de maneira geral, não têm como saber de antemão quais as chances de ocorrer melhora, daí a necessidade de procurar um especialista.
Uma das coisas que não se deve fazer, segundo a fonoaudióloga, é pedir para a pessoa respirar ou se acalmar e repetir a frase. ''A pessoa não faz porque quer, não tem controle, e esse tipo de atitude não vai resolver, só vai chamar a atenção para uma coisa que ela nem percebeu ainda''.
Alguns dos fatores que aumentam o risco da dificuldade perdurar são: sexo masculino, casos na família de gagueira ou fala rápida, presença de esforço para falar, recusa a situações de fala, entre outros.
Se o risco para gagueira for baixo, um acompanhamento periódico poderá ser feito, no qual se observará clinicamente a evolução da fluência da criança. Se o risco para gagueira for alto, o tratamento pode ser iniciado imediatamente, independente da idade da criança.
Em qualquer idade, a gagueira tem tratamento. No entanto, quanto mais precoce a intervenção, maiores são as possibilidades de obter melhores resultados. ''Todos os casos são tratáveis, mas quanto mais rápido se inicia, melhor é prognóstico. Um indivíduo com 35 anos, por exemplo, que nunca tratou, é um caso mais difícil, porque teve vivências mais negativas, mas é tratável'', avalia.

SERVIÇO
A Unopar promove duas palestras, com entrada gratuita, sobre ''Gagueira Infantil''. A primeira acontece em Londrina, às 10 horas, na Clínica de Fonoaudiologia (Rua Marselha, s/nº, Jardim Piza), e a segunda em Apucarana, às 20 horas, na Praça de Alimentação (3º piso) do Shopping Centro-Norte. Na Clínica de Fonoaudiologia também haverá atendimento específico sobre gagueira, hoje e amanhã, das 8h às 12 horas.

mockup