Gagueira crônica é enfrentada por 1% da população
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Michelle Aligleri<BR> Reportagem Local 
Londrina - Hoje é o Dia Mundial de Atenção à Gagueira. Quem nunca ouviu uma piada de gago? A verdade é que a gagueira não tem nada de engraçada, principalmente para quem enfrenta a dificuldade de se expressar e comunicar ideias aos outros.
Conforme dados repassados pela presidente do Instituto Brasileiro de Fluência, Ignês Maia Ribeiro, 5% da população se deparam com este problema em alguma fase da vida, 4% dessas pessoas param de gaguejar espontaneamente e 1% convivem diariamente com a gagueira crônica. O problema tem maior incidência na população masculina, na proporção de três homens gagos para cada mulher. ''A pessoa que gagueja precisa de apoio para que a situação não tenha tanto impacto na vida social dela'', disse Ignês.
A coordenadora do curso de Fonoaudiologia da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Juliana Jandre, explicou que a gagueira é um distúrbio do neurodesenvolvimento e pode ser desencadeada por uma série de fatores, mas também existe relação com a heditariedade. ''O filho de uma pessoa que gagueja tem três vezes mais chances de gaguejar do que uma criança que não tem ninguém com esta dificuldade na família. Mas este não é o único fator responsável pela gagueira da criança'', explicou.
Ela disse que não existe prevenção para o problema e ao se deparar com esta dificuldade os pais devem agir de forma mais natural possível, evitando corrigir, interromper ou terminar a frase da criança. ''É importante procurar um fonoaudiólogo para fazer avaliação assim que a gagueira for percebida. É necessário identificar se a situação será passageira ou não. Quanto antes iniciar a terapia, melhor o será resultado alcançado.'' O tratamento para gagueira pode durar de quatro meses a dois anos dependendo do grau de severidade, cerca de 80% dos pacientes alcança uma melhora significativa.
A gagueira é caracterizada por rupturas na fala: repetições e prolongamentos, tanto de sons como de sílabas e palavras. Surgem também bloqueios na fala. Nesses casos, as crianças evitam falar algumas palavras. Na fala automática, como músicas, dias da semana e números, a pessoa não gagueja. ''Algumas vezes a dificuldade aparece quando o gago está diante de outras pessoas que cobram a fluência adequada na fala. Em algumas situações, quando a criança conversa com o cachorro, por exemplo, ela não gagueja, justamente por que ela sabe que o animal não está julgando a sua fala. A questão psicológica interfere diretamente no desempenho do gago.''
Serviço
Hoje a Clínica-Escola de Fonoaudiologia da Unopar estará fazendo avaliação especial para orientar as famílias de crianças que gaguejam. O atendimento é das 9 às 12 horas. O ambulatório fica na Rua Marselha, sem número, no Jardim Piza (Zona Sul).


