Gafrée Guinle rejeita novos pacientes de aids por falta de pessoal
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Roberta Jansen 
Rio, 17 (AE) - O Hospital Gafrée Guinle suspendeu, desde sexta-feira (14), o atendimento a novos pacientes de aids por causa da falta de pessoal. Pelo menos quarenta doentes já deixaram de ser atendidos no hospital universitário, que não faz novas contratações desde 1996. Nos últimos quatro anos, o número de médicos foi reduzido de 250 para 180, informou o coordenador do programa de aids da unidade, Carlos Alberto Morais e Sá.
Atualmente 1.300 pessoas com aids são atendidas no ambulatório. Essas pessoas continuarão recebendo tratamento. "Mas não podemos aceitar novos doentes", afirmou Sá. "Os médicos estão atendendo até 50 pacientes por dia, o que é uma loucura." Na avaliação do coordenador, não se pode dar um atendimento correto a novos pacientes nessas condições. Além da falta de médicos, também não há pessoal de apoio suficiente para que o hospital absorva novos pacientes.
De acordo com a diretora do hospital, Célia Garritano, nos últimos dois anos o Gafrée perdeu 83 funcionários, entre médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, técnicos de laboratório e nutricionistas. "As pessoas foram exoneradas, transferidas ou se aposentaram e não houve reposição", disse Célia. "Não adianta atendermos novos pacientes e não termos, por exemplo, técnicos de laboratório para fazer exames complementares."
Por causa desse déficit, uma das cinco enfermarias da clínica médica está fechada. "O problema afeta todo o hospital, não apenas os pacientes de aids", disse a diretora. Célia afirmou que o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação já acenaram com a promessa de abrir um novo concurso público ainda este ano para a contratação de profissionais de diversas áreas. "Estamos aguardando o pronunciamento dos ministros", disse.
Segundo Célia, o problema da falta de pessoal é agravado pelo teto de R$ 320 mil estabelecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). "A nossa demanda é muito grande e o teto não é suficiente", afirmou. De acordo com os números do hospital, o laboratório de Patologia, por exemplo, faz 39 mil exames por mês
mas o SUS só cobre 26 mil. "Ficamos no prejuízo porque não podemos deixar de fazer esses exames", disse.


