Gaeco vai acompanhar morte de jovens
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terça-feira, 26 de julho de 2011
Silvana Leão <br> Reportagem Local 
Londrina - O Ministério Público vai acompanhar as investigações relativas às mortes de três jovens na madrugada do último domingo, em um suposto confronto com uma equipe do Pelotão de Choque em estrada próxima à Mata dos Godoy. Uma das famílias já procurou o Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), pedindo que seja instaurada investigação para apurar as circunstâncias das mortes. Para os familiares, os jovens podem ter sido executados.
Paulo Henrique Ferreira de Paula, 23 anos; Rafael Esteves de Orlans, 21; e Waldiney de Jesus, 18, integrariam uma quadrilha de roubo de carros. Dentro da mata foram localizados cinco veículos roubados em assaltos cometidos em Londrina. Os policiais - que afirmaram ter recebido uma denúncia anônima e faziam campana no parque - declararam que o trio reagiu com tiros ao receber voz de prisão. Com os suspeitos foram encontradas três armas: um revólver calibre 38, uma pistola de uso exclusivo do Exército e um fuzil 762.
O irmão de Rafael, Antonio Orlans, que trabalha como funcionário público em Cambé (Norte), informou que o jovem nunca tinha se envolvido em crimes e que havia passado em dois concursos públicos, um deles para a Polícia Militar. ''Ele emprestou o carro e teve o azar de estar no lugar errado na hora errada. Ele nunca teve arma'', garantiu Orlans. Segundo ele, há pontos a serem esclarecidos no caso. ''Meu irmão levou um tiro que entrou na altura do coração e saiu mais abaixo, pelas costas, indicando que ele estava ajoelhado.'' O funcionário público disse ainda que as roupas de Rafael não foram devolvidas à família e que teriam sido incineradas.
A auxiliar de enfermagem Marli dos Santos, mãe de Paulo Henrique, também afirma não ter recebido roupas e objetos pessoais do filho. Segundo ela, o jovem era dono de uma borracharia e não tinha passagem pela polícia. ''Acho que eles até poderiam ser presos, se houvesse alguma suspeita. Mas nunca matar três jovens assim, de uma vez'', argumenta. Marli informou que não conhecia os outros rapazes que estavam com Paulo Henrique. Na última segunda-feira ela procurou o Ministério Público (MP) para pedir que o Gaeco acompanhe o caso.
A assessoria de imprensa do MP informou que Marli será ouvida por um dos promotores, que já fez contato com o comando do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) e vai acompanhar de perto as investigações do Inquérito Policial Militar (IPM). Ontem o capitão Ricardo Eguedis, porta-voz do 5º BPM, afirmou que não há novidades no caso e que não poderia antecipar nenhum julgamento. A conclusão do inquérito, segundo ele, pode demorar até 70 dias, caso não seja necessária nenhuma perícia mais demorada. O porta-voz declarou ainda que as armas dos policiais foram encaminhadas para perícia e que os integrantes do Choque que participaram da ação, a princípio afastados das ruas, já estão aptos a voltar ao trabalho.
O perito do Instituto de Criminalística Luciano Bucharles, responsável pelo laudo dos exames feitos no local das mortes, informou que tem prazo de 10 dias para concluir o documento, e que não poderia antecipar detalhes técnicos. Ele disse, porém, que nenhum projétil foi encontrado. ''Voltamos lá no dia seguinte, com a luz do sol, mas a mata é muito fechada e dificilmente encontraríamos algo. É como procurar agulha num palheiro'', definiu. Segundo o perito, aparentemente não foram realizados muitos disparos no local. O chefe do Instituto Médico Legal (IML), Miguel Yoneda, não foi localizado ontem para falar sobre o caso.
Direitos Humanos
Diante das evidências de ações de extermínio dentro da própria polícia, há seis meses um grupo independente de 10 delegados do Paraná formou a Comissão de Direitos Humanos 'Irmãos Naves'. O presidente desta comissão, o delegado chefe da Subdivisão Policial de Foz do Iguaçu, Rogério Antonio Lopes, esclareceu que o trabalho tenta acabar com a ideia errônea de que existe uma incongruência entre os direitos humanos e o trabalho policial. Esta semana a comissão recebeu e-mail denunciando a morte dos jovens em Londrina, como uma possível ação de um grupo de extermínio. Mas Lopes preferiu não comentar o caso, ressaltando a competência da Polícia Civil da cidade.
Em Foz do Iguaçu, de acordo com o delegado, as ações pautadas nos direitos humanos têm contribuído para a diminuição no número de homicídios. Este ano, até o mês de junho, houve uma redução de 30% neste tipo de crime, em relação a 2010. Só em julho o declínio foi de 87%. Sobre a possível ligação dos altos índices registrados anteriormente com grupos de extermínio, Lopes disse apenas tratar-se de uma interpretação possível dentro do contexto. Segundo ele, há vários inquéritos em trâmite que apontam indícios da presença destes grupos.


