Curitiba - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), recebeu ontem uma denúncia contra policiais militares. Eles são suspeitos de terem agredido moradores de um bairro da Capital e de terem cometido crime de tortura e racismo contra uma advogada, além de invadir a residência de uma família.
O caso aconteceu no fim de semana, em Bairro Alto, após uma abordagem policial a um motociclista que se recusou a parar e teria entrado na casa de uma família no bairro. Um vídeo feito por populares mostra que os policiais, para prender o suspeito, invadiram a residência. No local, várias pessoas teriam sido agredidas, inclusive uma idosa.
A advogada Andréia Cândida Vitor acusa alguns dos policiais de a terem humilhado com xingamentos, de proferir palavras racistas e preconceituosas durante a ação e após a prisão. Ela e outras 11 pessoas foram detidas.
O advogado de Andréia, Elias Mattar Assad, apresentou a acusação ao Gaeco por violação de domicílio durante o tumulto e agressões. ''Em particular, quanto à doutora (Andréia, a situação), piorou porque ela teve a dignidade violada como mulher, como negra e como advogada'', afirmou Assad, ontem à tarde.
De acordo com o coordenador do Gaeco e procurador de Justiça Leonir Batisti, as investigações ainda estão no início. Seguundo ele, a advogada será ouvida, assim como as demais vítimas e outras testemunhas. Ele classifica a ação dos policiais como ''episódio lamentável''. ''A princípio, o julgamento que pode ser feito é de que se não havia contra estas pessoas qualquer suspeita; a ação dos policiais foi indevida'', afirmou.
Batisti informou que a investigação do Gaeco vai caminhar junto com a da Corregedoria da Polícia Militar para saber quais teriam sido os excessos e quais os policiais realmente participaram das supostas agressões. Segundo Batisti, as investigações devem durar de 50 a 60 dias.
A advogada disse que não condena a Polícia Militar pelo ocorrido, mas considera lamentável a atuação daqueles integrantes da PM durante a ação no Bairro Alto. ''Aqueles policiais são despreparados e envergonham a corporação. Eles têm que ser preparados para que aquela população volte a confiar na Polícia. Tenho vários amigos dentro da corporação e que já demonstraram apoio'', afirmou.
A Polícia Militar, por meio da assessoria de imprensa, informou que a corporação abriu um inquérito e que deve apurar dentro de 40 a 60 dias as possíveis responsabilidades sobre o caso, tanto do lado dos PMs quanto dos moradores. Se a apuração resultar em excesso dos policiais, eles serão, ainda de acordo da assessoria, responsabilizados de acordo com os critérios da Lei.

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