Guarapuava - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Guarapuava (Centro) desarticulou ontem uma quadrilha que desviava cargas e atuava em rodovias do Estado, principalmente na região Norte. Mais de R$ 3 milhões em produtos foram desviados pelos marginais durante dois anos, segundo a polícia.
A operação Trinca de Ferro II cumpriu 45 mandados de busca e apreensão, 13 medidas cautelares e 18 mandados de prisão preventiva em sete Estados: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rondônia, Minas Gerais e Mato Grosso. Entre os presos estão cinco policiais civis (três investigadores e dois escrivães), além de agenciadores, motoristas, e receptadores das cargas.
A ação de ontem é um desdobramento do esquema criminoso desarticulado pelo Gaeco em 1º de abril de 2011, na Operação Trinca Ferro. Na ocasião, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão preventiva. O valor das cargas desviadas, na primeira ação, ultrapassou R$ 2 milhões.
Conforme as investigações, os criminosos cooptavam motoristas com cargas valiosas, simulavam o sequestro e o roubo de cargas, fraudava boletins de ocorrência para fins de seguro com auxílio e orientação de policiais, e distribuía as cargas desviadas para diversos receptadores. Todo o material apreendido já foi encaminhado à sede do Gaeco em Guarapuava, onde será analisado e, em seguida, apresentado à Justiça.
De acordo com o chefe de operações do Gaeco de Guarapuava, tenente Marcelo Veigantes, os roubos de carga aconteciam principalmente nas proximidades de cidades como Cândido de Abreu, Reserva, Imbaú, Apucarana, Londrina, Maringá e Paranavaí. Ele conta que os agenciadores eram informados por caminhoneiros membros do grupo quando seria realizado o transporte de alguma carga valiosa. Sabendo disso, os criminosos simulavam o roubo do caminhão e o sequestro do motorista. Alguns dias depois o suposto refém era libertado e se encaminhava aos policiais envolvidos para registrar o BO, acionando o seguro da carga. O material furtado era espalhado entre os receptadores e o lucro era repartido entre os integrantes do bando.
Os BOs, conforme o Gaeco, eram registrados nas delegacias de Cândido de Abreu e Reserva, onde os policiais envolvidos estavam lotados. Na operação de ontem eles foram presos em Telêmaco Borba, nos Campos Gerais, para onde tinha sido transferidos.
Veigantes lembra que a partir de análises de diversos boletins de ocorrência foi possível verificar as fraudes. As cargas desviadas variavam de tratores até roupas. "É um esquema gigantesco e que conseguimos desarticular. Foram dois anos de trabalho, se baseando em documentos e informações coletadas na Operação Trinca de Ferro desencadeada em 2011.

mockup