Curitiba - Três pessoas foram presas ontem, em Curitiba, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público (MP), entre elas o ex-vereador da capital, Juliano Borghetti, irmão da vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti. Segundo informações da assessoria de imprensa do MP, a prisão faz parte de um "complemento" da Operação Quadro Negro, que investiga o desvio de recursos públicos que estavam destinados a obras em escolas estaduais do Paraná.
A prisão de Borghetti é temporária (cinco dias) e foi autorizada pela Justiça. Além dele, foram presos preventivamente (até 30 dias) os empresários Eduardo Lopes de Souza e o filho dele, Gustavo Baruque de Souza, responsáveis pela empresa Valor Construtora e Serviços Ambientais. A investigação que levou à Operação Quadro Negro teve como ponto de partida informações repassadas por uma auditoria aberta em abril pela Secretaria Estadual de Educação. Na época, relatório parcial apontou irregularidades em medições de sete obras sob incumbência da Valor. Em alguns casos, nem 1% da obra havia sido realizada e estava anotado no banco que 99% havia sido feito.
A assessoria de imprensa da vice-governadora disse que ela não se manifestaria a respeito da prisão do irmão. Cida participaria, ontem, de manhã, de uma missa na Assembleia Legislativa (AL) para marcar o encerramento do ano, mas não compareceu. Sobrinha de Borghetti, a deputada estadual Maria Victoria (PP) registrou presença ontem no início da sessão da AL, às 14h30, mas saiu, voltando apenas na hora da votação, às 16h50. Ela não conversou com a imprensa. Segundo sua assessoria, a deputada preferia não comentar o caso.
O advogado de Juliano Borghetti, Cláudio Dalledoni Junior, declarou que todas as acusações contra seu cliente são infundadas. "O Ministério Público credita a ele o fato de ter usado de influência na alta cúpula do governo para beneficiar empresários envolvidos no esquema, o que não ocorreu", defende. "Temos como justificar todos os valores recebidos por ele", completou, sem dar mais detalhes. Dalledoni Junior também disse que as acusações contra Borghetti são procedentes de declarações de ex-funcionários da Valor, que para se esquivar das responsabilidades, estariam "atirando para todos os lados".
A FOLHA entrou em contato com o advogado de Eduardo e Gustavo Souza, Roberto Brezinski, mas ele não retornou a ligação. A reportagem também não conseguiu contato com o coordenador do Gaeco, o procurador Leonir Batisti. (Colaborou Mariana Franco Ramos e Celso Felizardo/Reportagem Local).

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