Gaeco prende integrantes de organização criminosa em Londrina
Grupo cumpriu 559 mandados em megaoperação em quatro estados; policial foi baleado em confronto em Cambé, que resultou na morte de foragido
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segunda-feira, 15 de junho de 2026
Grupo cumpriu 559 mandados em megaoperação em quatro estados; policial foi baleado em confronto em Cambé, que resultou na morte de foragido

Cinco residentes de Londrina foram alvos de mandados de prisão no âmbito da Operação Panóptico, deflagrada na manhã desta segunda-feira (15) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MPPR (Ministério Público do Paraná). Foram cumpridos 304 mandados de prisão e 255 de busca e apreensão em quatro estados - Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul -, tendo como alvo a maior organização criminosa do Brasil, atuante a partir de presídios. Um policial militar foi baleado por um homem foragido em Cambé, sendo que o alvo faleceu.
Foram expedidos 55 mandados entre Londrina, Porecatu e Santo Antônio da Platina, sendo 26 de prisão temporária e 29 de busca e apreensão. O objetivo da operação, que envolveu mais de mil policiais de diferentes forças de segurança a nível estadual, é responsabilizar o maior número de integrantes da facção, impedir que as atividades criminosas sigam vigentes e enfraquecer sua atuação no Paraná, arrecadando provas e buscando elucidar outros crimes. As investigações vêm sendo desenvolvidas desde o final do ano passado em todas as regiões do Estado, com o cumprimento de ordens judiciais em 34 municípios nesta segunda.
Considerando a quantidade de criminosos investigados na região de Londrina, o promotor José Paulo Montesino avaliou o território como um “grande espectro” ao grupo criminoso. “É até por ser a segunda maior cidade do Paraná. Hoje estamos fazendo essa operação, pode ser que daqui uma semana já tenha mais 50 alvos. É um trabalho de formiga que a gente faz aos poucos, mas é isso que faz com que a facção não avance, ou avance mais devagar”, relatou.
O promotor Leandro Antunes informou que lideranças estão entre os 559 alvos da ação, comparando a facção criminosa a uma “empresa com diversos departamentos”. “São pessoas que exercem a função de emitir ordens, inclusive ordens de morte, e de prática de outros crimes graves. Nós temos ali pessoas responsáveis pelo ‘setor dos Recursos Humanos’ dessa organização, que faziam o controle dos faccionados e da droga que era vendida em diversos municípios paranaenses, entre outras funções”.
Mortes em confrontos
Um homem com dois mandados de prisão em aberto, por tráfico de drogas e por roubo associado ao tráfico, morreu após reagir à abordagem em Cambé, conforme o MP. Na ocorrência, um policial militar ficou ferido por disparo na mão e sofreu lesão ocular, atingido por estilhaços em um dos olhos. Ele foi encaminhado a um hospital e passa bem.
Antunes informou que o autor dos disparos contra a equipe policial era foragido, possuindo mais de 10 passagens policiais em São Paulo e no Paraná por tráfico de entorpecentes, roubo e associação para o tráfico. “Se tratava de uma pessoa de alta periculosidade”, disse o promotor. Em Nova Londrina, outro homem, procurado por integrar a organização criminosa, também morreu após reagir à ação policial.
Balanço
Dos 304 mandados de prisão expedidos, 176 foram cumpridos em estabelecimentos prisionais e 97 contra pessoas que estavam em liberdade - 90% de êxito. Já entre as 255 ordens de busca e apreensão, 92 foram realizadas em prisões. Antunes pontuou que, mesmo recolhidos, os alvos não se sentiram coagidos a deixar de praticar os atos ilícitos, sendo “importante que o sistema carcerário se aperfeiçoe para impedir a entrada de dispositivos eletrônicos e regular melhor as visitas nas unidades, de modo a coibir essa prática".
Os policiais apreenderam pouco mais de um quilo de cocaína, 670 gramas de crack e 700 gramas de maconha, além de oito armas de fogo e R$ 12 mil em dinheiro. Também localizaram um imóvel utilizado para preparação de drogas em Curitiba, equipado com prensa e materiais para manipulação de entorpecentes, e encontraram um dispositivo destinado ao bloqueio de sinais de tornozeleiras eletrônicas.
Durante a operação, ainda foram lavrados quatro autos de prisão em flagrante por tráfico de drogas e dois por obstrução à Justiça, em razão da destruição de aparelhos celulares. (Com MPPR)


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.


