O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu ontem mandado de prisão contra o auditor e ex-delegado regional da Receita Estadual em Londrina, José Luiz Favoreto Pereira, por envolvimento em casos de exploração sexual de adolescentes. A prisão foi determinada pelo Tribunal de Justiça, atendendo a um pedido do Ministério Público, impetrado na 6ª Vara Criminal de Londrina, que pediu a revogação do habeas corpus dele.
Ele já havia sido preso em março do ano passado e respondia em liberdade desde outubro de 2015. Favoreto não recebeu nenhuma condenação, no entanto, uma das vítimas, hoje com 20 anos, chegou a depor, na época em que o escândalo veio à tona, que ele a teria levado ao motel quando ela tinha apenas 14 anos. A defesa do auditor refuta essa tese e alega que a denúncia somente aconteceu depois de ameaça do fotógrafo Marcelo Caramori. O advogado de Caramori, Leonardo Vianna, informou que o motivo da prisão de Favoreto não tem qualquer relação com o seu cliente e que por isso não iria comentar o caso.
O delegado do Gaeco, Alan Flore, expôs que a ordem de prisão cumprida na manhã de ontem foi decretada na quarta-feira pelo Tribunal de Justiça do Paraná. "Ele foi preso em casa. Não houve reação e ele foi conduzido tranquilamente pelos policiais", destacou. O auditor foi encaminhado ao Centro de Triagem, no 4º Distrito Policial, na Avenida Dez de Dezembro, na zona leste.
Segundo a promotora da 6ª Vara Criminal de Londrina, Susana Lacerda, Favoreto teria contatado pessoas, entre elas o fotógrafo Marcelo Caramori, pedindo para contratar pessoas para destruir as provas da ligação dele com as vítimas de exploração sexual e as aliciadoras. "Essa pessoa apagaria os registros das conversas e destruiria o chip do telefone", destacou.
A promotora ressaltou que pretende peticionar nos autos para que a Justiça antecipe a audiência. "Agora o processo tem que ter andamento de réu preso. Eu estava aguardando o sucesso na prisão dele para fazer isso", declarou.
O advogado de Favoreto, Walter Bittar, alegou que a decisão é uma "retaliação a um pedido de adiamento (de audiência) feito por ele". Esse pedido foi deferido pelo desembargador. "Com a quantidade de audiências da (Operação) Publicano, tivemos que pedir o adiamento do julgamento", declarou.

EXTORSÃO
Outra prisão realizada ontem foi de Sandra Marques Cruvinel, acusada de extorquir um empresário, oferecendo mudar o seu depoimento sobre um empresário no caso de exploração sexual de adolescentes. O delegado Alan Flore afirmou que Sandra não chegou a conseguir o dinheiro, porque houve um comunicado por parte do empresário.
"A obtenção da vantagem não ocorreu, mas entendemos que o crime foi consumado, haja vista que a exigência teria sido feita. A princípio existem nos autos algumas informações de que esses valores seriam em torno de R$ 5 mil ou algo parecido, mas não chegou a ser definida uma quantia específica", declarou Flore. Sandra foi encaminhada ao 3º Distrito Policial de Londrina, no Jardim Bandeirantes (zona oeste).
O escândalo de exploração sexual de adolescentes veio à tona no dia 13 de janeiro do ano passado, quando o auditor da Receita Estadual, Luiz Antônio de Souza, foi preso em um motel na companhia de uma adolescente de 15 anos. Sandra foi detida no dia 3 de março do ano passado. Ela respondia em liberdade a acusações de favorecimento à prostituição e estupro de vulnerável. A reportagem tentou entrar em contato com o advogado dela, Otávio Takao Fujimoto, mas o celular permaneceu desligado durante todo o dia. (Colaborou Celso Felizardo)

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