Londrina - O Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) instaurou procedimento investigativo para apurar supostos crimes de tortura na Penitenciário Estadual de Londrina (PEL) I. As denúncias foram repassadas pela assessoria da Defensoria Pública.
Ontem, oito detentos, que têm entre 20 e 35 anos, foram ouvidos pelo promotor do Gaeco, Jorge Barreto. Eles relataram em depoimento terem sido agredidos verbal e fisicamente por três agentes penitenciários.
As agressões teriam ocorrido em 10 de agosto, data em que houve a formatura dos agentes penitenciários do Núcleo de Operações Especiais (NOE). Como último ato do curso de formação, os profissionais participaram de uma revista na PEL I. Na ocasião foram apreendidos 12 celulares e uma pequena porção de droga. Uma discussão entre detentos e agentes teriam motivado as agressões.
Dois detentos, de 20 e 27 anos, realizaram exames de corpo de delito e os resultados foram repassados ao 6º Distrito Policial, onde já tramita um inquérito, e para a Corregedoria do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), que abriu processo administrativo disciplinar contra os servidores.
Um e-mail descrevendo as supostas agressões foi repassado na época à FOLHA. O documento informava que os presos iriam revidar as agressões e alertava que era ''melhor a cidade se preparar para um rio de sangue porque os presos já deram o recado de que haverá troco e vai ser do jeito do ladrão''.
O Gaeco abriu a terceira investigação sobre o caso. ''Temos um procedimento administrativo disciplinar instaurado pelo Depen. Nós solicitamos cópia desse procedimento. A ideia é apurar paripasso com esse procedimento e a tendência é ouvir outras pessoas, como os agentes'', disse o promotor Jorge Barreto. Datas ainda não foram definidas.
Se comprovada a ilegalidade, os agentes penitenciários podem ser denunciados criminalmente por tortura, crime cuja pena pode chegar a oito anos de prisão.

mockup