Londrina – Após uma acareação de mais de duas horas entre o auditor Luiz Antônio de Souza e o ex-assessor do governo estadual Marcelo Caramori, no final da manhã de ontem, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) pode indiciar novas pessoas no esquema de exploração sexual de menores em Londrina. Desta vez, no entanto, os suspeitos são investigados por destruição de provas, a principal delas um chip de celular que estava com uma das meninas.
A promotora Susana Lacerda informou que surgiram novos nomes em relação ao processo de destruição de provas no período de duas semanas, entre 13 de janeiro, quando o auditor foi preso com uma adolescente de 15 anos em um motel, e 29 do mesmo mês, data da primeira prisão de Caramori. Os dois assinaram acordo de delação premiada, mas o Ministério Público ainda tinha dúvidas sobre a veracidade de algumas informações. "Desta vez os depoimentos foram similares e esclarecedores. Algumas aparentes divergências foram solucionadas", disse a promotora.
De acordo com Susana, o Ministério Público vai analisar o oferecimento das novas denúncias. Os nomes e a quantidade de investigados não foram revelados para não prejudicar as investigações. Outros detalhes do processo também correm sob segredo de justiça. Após a acareação, Caramori deixou a sede do Gaeco com um pano na cabeça. Ele responde em liberdade por colaborar com as investigações. Já Luiz Antônio de Souza, que não conseguiu o mesmo benefício, retornou à noite para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 1), onde permanece preso. Durante a tarde, ele prestou depoimentos sobre a Operação Publicano.
Também à tarde, o empresário Íris Matos Moreira retornou à sede do Gaeco para prestar esclarecimentos sobre o depoimento de outra suposta vítima do esquema de exploração sexual, uma mulher de 24 anos, que teria tido relações com ele e outros seis homens aos 13 anos. O advogado de Moreira, Ronaldo Neves, informou que o cliente nega conhecer as meninas. Segundo Moreira, a moça mencionou motéis que nem existiam à época. O empresário foi denunciado em 11 casos e responde a duas ações. Neves disse que vai tentar a liberação do cliente, que tem 71 anos e já teria perdido cinco quilos na prisão.
No dia 1º de junho deve ser concluída a primeira audiência do esquema de exploração sexual. A Justiça, que já ouviu a adolescente de 15 anos que estava no motel com Luiz Antônio de Souza em janeiro, os pais dela e dois policiais, deverá tomar os depoimentos do auditor e de Carla de Jesus, jovem de 19 anos que aliciava a própria irmã. A audiência do primeiro inquérito estava prevista para ser concluída na quarta-feira passada, mas foi adiada porque o Ministério Público pediu o reforço de mais uma testemunha de acusação.

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