Gaeco investiga cárcere privado em clínica de Londrina
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sexta-feira, 13 de abril de 2012
Danilo Marconi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - O Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) abriu inquérito para apurar possíveis maus-tratos praticados contra pacientes da Clínica Gran Vitória, no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste). Há denúncias de agressões e cárcere privado.
Em operação realizada ontem, policiais constataram que dependentes químicos eram mantidos em um quarto de isolamento, denominado de Unidade de Desintoxicação (UD), com privação de liberdade. Em depoimento, alguns alegaram ter ficado amarrados e outros, algemados.
''Na primeira vez que tive internado fiquei 20 dias na UD, uma loucura. Escrevi cartas para meus parentes e os monitores filtravam, não deixavam telefonar e acabava apanhando. Fui agredido a pontapés e empurrões'', revelou um interno que preferiu não ser identificado. Dois jovens foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), onde realizaram exame de corpo de delito.
O Gaeco também investiga as internações involuntárias realizadas na clínica, em que pacientes passam por tratamento sem consentimento. ''Alguém que é maior e capaz não pode ser constrangido a permanecer em uma unidade contra sua vontade, isso é ilegal, segundo a legislação. Declarações por parte dos residentes apontam que muitos estavam lá de forma involuntária'', explicou o delegado do Gaeco, Alan Flore. De 39 residentes, 22 deixaram a clínica após a fiscalização.
A Vigilância Sanitária constatou diversas irregularidades e lavrou auto de infração, que pode ensejar uma ação civil na Promotoria de Saúde Pública. ''É possível um tratamento que não seja sob violência, com cerceamento de liberdade e desrespeitando a liberdade das pessoas. Queremos demonstrar que é possível haver tratamento digno. Hoje não há mais lugar para isolamento'', afirmou o promotor Paulo Tavares. A interdição da unidade não está descartada.
O diretor da clínica rebateu as acusações. ''A Vigilância viu problemas em construção, cor do piso, necessidade de tapume, telas e fazer ambulatório, isso se faz em 48 horas. Sobre as internações involuntárias, faremos pedidos ao juiz. No entanto, alegar que há maus-tratos é mentira. Foi um artifício, forma de manipulação para ter liberdade para usar droga. Tanto que cinco jovens que saíram daqui já estão usando crack nas ruas, como contam seus parentes'', criticou.


