Gaeco denuncia três policiais civis por tortura
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quarta-feira, 07 de agosto de 2013
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a partir de uma investigação instaurada pela Corregedoria da Polícia Civil, denunciou ontem, ao Poder Judiciário, três policiais civis que estavam lotados no mês de março na Delegacia de Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), por tortura, abuso de autoridade e falsidade ideológica. O órgão também informou que pediu o afastamento dos investigadores.
De acordo com o Gaeco, três policiais torturaram, agrediram e humilharam o motorista de ônibus Wenilton Ribeiro, no dia 12 de março deste ano. Segundo André Pasternack Glitz, promotor do Gaeco, o rapaz foi agredido em sua residência, na frente de familiares e vizinhos, e também na carceragem da delegacia de Quatro Barras, diante de três detentos.
Durante as investigações, com depoimentos e coleta de provas, foi constatado que o rapaz estava sofrendo de estresse pós-traumático por ter sofrido constantes assaltos na linha em que trabalhava. A partir deste diagnóstico, explicou o promotor, Wenilton fez uso de medicamento controlado. No dia 12 de março, entretanto, o jovem foi até um bar da região, consumiu bebida alcoólica, e acabou ficando alterado e causou alguns transtornos.
A guarda municipal, então, chamou a polícia, para que o rapaz fosse encaminhado até um posto de saúde ou hospital, para ser tratado, o que não ocorreu. "A situação já estava controlada, o rapaz mais calmo, mas, conforme os relatos, ele foi algemado ainda em casa, jogado no chão e levou chutes e pontapés enquanto os familiares reclamavam da atitude dos policiais. Ele foi tratado como marginal", disse o promotor.
Conforme o Gaeco, após as primeiras agressões, Wenilton foi levado até a delegacia. Na carceragem, foi deitado no chão e levou chutes e pontapés por cerca de 15 minutos até que familiares chegassem no local. Depois de cerca de uma hora o rapaz foi levado até um posto de saúde e acabou sendo encaminhado para o Hospital Evangélico de Curitiba por causa da gravidade das lesões. Foi constatada uma lesão grave na região da bexiga em razão dos chutes que ele levou na delegacia, e o homem teve que colocar uma sonda para poder urinar. "Ele está sem poder trabalhar desde março e, no dia 24 de maio, quando foi feito um segundo exame de corpo de delito, o laudo apontou que as lesões ainda não tinham regredido. Além dessas evidências, diversas testemunhas confirmaram os atos praticados pelos policiais", contou o promotor.
O Gaeco ainda informou que três dias depois do ocorrido os investigadores forjaram um auto de resistência e levaram para os presos da carceragem assinarem como testemunhas. "Eles forjaram um documento para dar a entender que o rapaz teria resistido à ação policial, o que não aconteceu. Não houve nada que justificasse a prisão. Os policiais foram totalmente despreparados para lidar com uma situação como esta", completou Glitz.


