Gaeco denuncia sete policiais militares por homicídios em Curitiba
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terça-feira, 17 de dezembro de 2019
Reportagem local 

O MP (Ministério Público) do Paraná denunciou sete policiais militares envolvidos na morte de dois suspeitos de roubar o carro de um motorista por aplicativo, em Curitiba, no mês de julho. A denúncia por homicídio foi feita pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e aceita pela Justiça nesta segunda-feira (16).
As mortes ocorreram depois que o motorista por aplicativo atendeu a uma corrida em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), para levar três passageiros até o Centro Cívico, região central da capital paranaense, onde o roubo teria sido anunciado e o veículo, levado.
Três equipes de policiais militares receberam a informação do assalto via radiocomunicador e iniciaram uma perseguição aos suspeitos, municiados com informações do proprietário, que rastreava o veículo. A perseguição correu até o bairro do Pilarzinho, onde o carro roubado colidiu. Na versão dos policiais, os suspeitos desceram atirando e provocaram um tiroteio.
Entretanto, segundo a denúncia criminal do Gaeco, os policiais teriam efetuado 33 disparos contra os suspeitos, mesmo eles tendo se entregado. "O que o MP evidenciou e, por isso, está promovendo a denúncia, é que os policiais agiram precipitadamente, em desconformidade, e atiraram nestas pessoas, quando uma delas desceu com as mãos para cima e a outra saiu do carro, caiu no chão e foi alvejada. Somente o terceiro [passageiro], que saiu por último, é que não foi alvejado", relata o coordenador do Gaeco no Paraná, Leonir Batisti.
Na denúncia, o MP também pede o afastamento do tenente que comandou a operação por ter agido “de forma contrária às expectativas sociais sobre a função do policial militar e à formação profissional recebida para defesa da sociedade; revelando que no exercício de seu mister, ao invés de proteger a sociedade, colocou-a em risco, havendo justo receio de que possa vir a praticar novas infrações penais da mesma natureza ou de natureza semelhante quando no exercício da função”.
Procurada, a assessoria de imprensa da Polícia Militar do Paraná afirma que a corporação atendeu ao que foi solicitado pela Justiça no decorrer da ação penal. "A corporação também colaborou com as investigações e agora aguarda as decisões do Poder Judiciário", conclui a nota.


