Gaeco denuncia 8 policiais pelo crime de tortura
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de outubro de 2011
Adriana De Cunto <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Oito policiais militares de Curitiba, suspeitos de tortura, são alvo de uma denúncia criminal apresentada pelos promotores de Justiça do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
De acordo com o Ministério Público, em uma madrugada de março de 2009, cinco policiais que faziam ronda no Centro da Capital abordaram um homem e duas mulheres nas proximidades do cruzamento da Alameda Doutor Carlos de Carvalho com a Rua Voluntários da Pátria. Essas pessoas teriam sido conduzidas à força, algemadas, até o módulo da Polícia Militar (PM) na Praça Osvaldo Cruz (em frente ao Shopping Curitiba), onde teriam sido agredidas física e verbalmente para que indicassem a pensão onde o rapaz, supostamente um traficante, estaria residindo, bem como para que confessassem atuar ''no comércio ilícito de drogas''.
Segundo relata o MP, durante as sessões de tortura ''alguns dos denunciados seguravam as vítimas, outros as agrediam ou sufocavam, e outros, ainda, apenas presenciavam''. Depois de quase quatro horas as mulheres foram liberadas, sem qualquer formalização da ocorrência. Alguns PMs foram até a pensão indicada pelas vítimas e apreenderam alguns objetos. Horas depois, já pela manhã, o homem foi encaminhado à Delegacia de Polícia para lavratura de prisão em flagrante, pois teria confessado que vendia drogas.
Cinco policiais teriam participado da tortura e outros três são acusados de não tentar impedir a agressão. O coordenador estadual do Gaeco, Leonir Batisti, explicou que em 10 dias o juiz que analisa o caso deve se pronunciar. Ele disse que a tortura contra suspeitos de crimes é tolerada até mesmo pela sociedade. ''Mas as autoridades estão mais conscientes de que essa situação (tortura) é inaceitável'', afirmou.
A PM informou que só vai se pronunciar quando tomar conhecimento oficial sobre o teor da denúncia.


