Curitiba - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, denunciou 778 pessoas por atuação em organização criminosa em presídios do Estado. Foram apresentadas 31 denúncias criminais. Segundo o Gaeco, elas foram desmembradas para permitir uma tramitação processual mais adequada e ajuizadas entre 23 de dezembro de 2015 e 12 de fevereiro de 2016, junto à 8ª Vara Criminal de Curitiba.
Vinte e sete pessoas foram identificadas como pertencentes à cúpula da organização que atua em presídios de todo o Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre elas, estão dois advogados, um de Curitiba e outro de Paranavaí. Todos os denunciados tiveram a prisão preventiva decretada em face de recurso promovido pelo MP-PR junto ao Tribunal de Justiça (TJ). Muitas das prisões se referiam a pessoas já incluídas no sistema penal.
As denúncias são o resultado da Operação Alexandria, deflagrada em 17 de dezembro de 2015 e que reuniu policiais militares e civis, Gaeco e Departamento de Execução Penal do Paraná (Depen). A megaoperação foi realizada em Curitiba, na região metropolitana e em outras 72 cidades no interior do Estado. Foi a maior operação policial do Brasil contra a facção criminosa. Ao todo, foram expedidos 767 mandados de prisão preventiva, sendo que a maioria deles foi cumprida dentro das próprias unidades prisionais.
A investigação sobre o caso foi conduzida pelo Centro de Operações Especiais (Cope) da Polícia Civil e durou cerca de um ano. Por decisão do Poder Judiciário, 237 telefones foram bloqueados, assim como 28 contas bancárias que eram usadas pela quadrilha. A investigação começou depois que a polícia apreendeu diversos cadernos com anotações e detalhes da atuação do PCC no Paraná. Foram interceptadas, com autorização judicial, mais de 30 mil ligações. "A operação Alexandria foi resultado de um trabalho coordenado pelas polícias do Paraná, em conjunto com o Ministério Público Estadual. Esta cooperação entre a polícia e o MP permitiu que os promotores conhecessem os detalhes da investigação, dando celeridade assim na propositura das denúncias", disse o secretário da Segurança e Administração Penitenciária, Wagner Mesquita.
O procurador de justiça e coordenador estadual do Gaeco, Leonir Batisti, lembra que durante as investigações foram conseguidas provas bastante substanciais contra a organização. O recebimento das denúncias e início dos processos vai se refletir na condição prisional dos denunciados (em casos de pedido de progressão de regime, por exemplo).
A polícia tem mais de 1.700 horas de conversas dos membros desta facção envolvendo 12 Estados: Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Alagoas, Ceará, Goiás, Santa Catarina, Pernambuco e Rio Grande do Norte. O conteúdo das conversas interceptadas mostra que diversos crimes foram cometidos em benefício da organização criminosa, como tráfico de drogas, roubos de carros e residências, tráfico de armas e homicídios.

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