Curitiba - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Curitiba denunciou ontem, ao Poder Judiciário, 21 pessoas por envolvimento em tortura contra os quatro suspeitos de terem assassinado a adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba). Pela prática de tortura foram denunciados 19 pessoas, sendo 12 policiais civis (incluindo um delegado), um policial militar, dois guardas municipais, dois presos de "confiança", um ex-policial militar que se passava por policial civil e um agente de carceragem. Um investigador da Delegacia de Campo Largo foi denunciado por abuso de autoridade e lesão corporal e uma escrivã da Delegacia de Alto Maracanã, em Colombo, foi denunciada por falso testemunho.
Dois policiais, um da Delegacia do Alto Maracanã e outro da Delegacia de Araucária, além da prática de tortura, também devem responder por crime de natureza sexual – empalamento e estupro (por terem obrigado os presos a manterem relações sexuais entre si). Ao todo, 21 pessoas foram incluídas nas investigações. De todos os denunciados, 15 foram presos preventivamente, sendo que dois policiais conseguiram a liberdade no início da semana.
O Gaeco não confirmou se vai pedir ou não a prisão preventiva dos outros seis que também fazem parte da denúncia. De acordo com Leonir Batisti, procurador e coordenador geral do Gaeco, 61 pessoas foram ouvidas durante todo o processo, entre elas os suspeitos e presos das delegacias onde teriam acontecido as sessões de tortura. "Os depoimentos dos suspeitos foram reforçados pelas declarações das testemunhas e o segundo laudo pericial de lesão corporal feito nos quatro rapazes confirmaram a prática de tortura e agressões sexuais. Também fizemos buscas e apreensões e levantamos algumas provas. Tudo isso complementou as investigações culminando na apresentação da acusação formal ao Judiciário", disse.
O Gaeco ainda apresentou um cassetete de madeira na Delegacia de Campo Largo que teria sido utilizado nas sessões de tortura. Além disso, foi apreendida na casa de um dos policiais civis denunciados uma máquina de choque.
"Esperamos que a Justiça acate a denúncia para que se inicie um processo penal propriamente dito. As torturas descritas pelos suspeitos incluem pancadas, socos, chutes, uso de máquina de choque e promoção de atos de natureza sexual. Foram torturas praticadas por dias em três unidades da Polícia. Alguns tiveram atitudes mais graves do que outros, mas as provas levantadas apontam que todos estiveram envolvidos nestas ações", completou Batisti.

O caso
Paulo Henrique Cunha, Sérgio Amorim, Adriano Batista e Ezequiel Batista foram presos no dia 27 de junho, suspeitos de terem envolvimento com a morte de Tayná. Na Delegacia do Alto Maracanã, em Colombo, os quatro teriam confessado ter estuprado e matado a menina. O corpo da vítima, entretanto, só foi encontrado no dia seguinte, dentro de um poço de água localizado num terreno abandonado. Nos dias seguintes os suspeitos foram transferidos para as delegacias de Campo Largo e de Araucária, sob alegação de proteção dos acusados por causa da revolta dos moradores com o caso.
Após uma reviravolta, ficou comprovado que o sêmen encontrado na calcinha da adolescente não era de nenhum dos quatro presos. No dia 15 de julho os rapazes tiveram a liberdade provisória concedida e deixaram a Casa de Custódia em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba.
No mesmo dia, foi pedida a prisão preventiva de 15 pessoas que estariam envolvidas na prática de tortura. Os jovens foram incluídos no Programa de Proteção a Testemunhas, do governo federal.

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