Londrina - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) concluiu o quarto inquérito relacionado a suspeitas de crime de exploração sexual. Pela quarta vez, o auditor fiscal da Receita Estadual em Londrina Luiz Antônio de Souza foi indiciado por favorecimento à prostituição. Conforme o delegado do Gaeco, Ernandes Cezar Alves, o auditor teria se relacionado com uma adolescente de 14 anos com a ajuda de uma agenciadora de 25 anos, indiciada pelo mesmo crime.
"O pagamento foi de aproximadamente R$ 250 ou R$ 300 pelo programa. O auditor agiu de maneira semelhante ao que foi apurado em relação às outras vítimas mencionadas nos casos anteriores", explicou Alves. O quarto inquérito será encaminhado ao Ministério Público, que já ofereceu denúncia à Justiça com base nos outros três inquéritos concluídos.
Mais de 20 adolescentes já foram ouvidas pelo Gaeco. Segundo as vítimas, os valores dos programas sexuais variavam entre R$ 250 e R$ 2,5 mil. Outras quatro investigações devem ser concluídas nas próximas semanas. Entre elas, estaria o fato envolvendo uma adolescente de 13 anos, vítima de estupro, que apontou o fotógrafo e ex-assessor da Casa Civil do Paraná Marcelo Caramori como o responsável pelo crime. Caramori já foi denunciado por favorecimento à prostituição ou exploração sexual de vulnerável.
Até o momento, quatro agentes públicos permanecem presos por suposto envolvimento nos crimes. Além de Souza e Caramori, o ex-delegado regional da Receita Estadual de Londrina José Luiz Favoreto Pereira e o investigador da Polícia Civil Jefferson Pereira dos Santos foram detidos.
O advogado do ex-delegado da Receita Estadual, Rafael Garcia, aguarda resposta do pedido de revogação da prisão preventiva. O documento foi protocolado na segunda-feira no Fórum de Londrina. O advogado de Caramori, Leonardo Vianna, deve protocolar pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Paraná até o final dessa semana. Os advogados do auditor fiscal da Receita Estadual e do investigador da Polícia Civil não foram localizados pela reportagem.
Um processo administrativo disciplinar foi aberto junto à Corregedoria Geral da Polícia Civil para apurar as suspeitas contra o investigador Jefferson Pereira dos Santos. Segundo a assessoria de imprensa da corporação, com o afastamento, o policial receberá 70% do salário. O restante poderá ser pago caso a corregedoria não encontre indícios do crime.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) informou que foi instaurada uma sindicância junto à Corregedoria da Receita Estadual em Curitiba para apurar a conduta do auditor fiscal e do ex-delegado regional. Os dois foram afastados dos cargos, mas os salários continuarão a ser pagos normalmente até as conclusões da corregedoria, em investigação sem prazo para terminar.
Segundo a assessoria, Pereira atuava de forma temporária como delegado regional desde dezembro do ano passado e, por essa razão, a exoneração já havia sido programada para o último dia 12, antes da prisão. Mesmo exonerado do cargo, o ex-delegado permanece no quadro de funcionários da Receita Estadual como auditor fiscal afastado.

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