Vânia Moreira
Cerca de três mil cabeças de gado estão sendo vacinadas contra febre aftosa com atraso em Mariluz (35 quilômetros a sudoeste de Umuarama). O rebanho pertence às fazendas São Luiz, São João e Nossa Senhora Aparecida, no distrito de São Luiz, invadidas há dois anos por trabalhadores rurais sem-terra.
O gado só começou a ser vacinado esta semana depois que técnicos da Defesa Sanitária Animal (DSA), de Umuarama, negociaram com os administradores e os sem-terra acampados na propriedade.
O dono das fazendas, José Teixeira, de Presidente Prudente (SP), havia comprado as vacinas dentro do prazo legal, mas não fez a vacinação porque os sem-terra estão acampados perto da mangueira da Fazenda São João, onde o gado era reunido para a vacinação.
O administrador Arnaldo Proença, que mora em Goioerê, alegou que os animais não entrariam na mangueira por causa da movimentação nas proximidades. Segundo o veterinário da DSA, Ilvécio Gomes Guimarães, os animais estão sendo vacinados nas mangueiras da Fazenda Nossa Senhora Aparecida. ‘‘Deu mais trabalho para reunir o rebanho das três fazendas, mas o problema está resolvido’’, disse.
Os próprios sem-terra denunciaram à DSA que o rebanho das fazendas ainda não havia sido vacinado contra febre aftosa. Um dos líderes do Movimento dos Sem Terra (MST), João Tenor, disse que vacinou as 250 vacas leiteiras das famílias acampadas e que os sem-terra não estavam impedindo a vacinação do rebanho do fazendeiro.
Em março do ano passado, cerca de 500 famílias invadiram a Fazenda São Luiz. Foi a segunda ocupação de terra na região. A primeira invasão foi em 97, em Icaraíma.
No início deste ano metade das famílias acampadas na Fazenda São Luiz transferiu-se para a Fazenda São João. As três propriedades somam quase dois mil alqueires.

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