Gabriel nega ter autorizado tropas a entrar em confronto
Agência Estado
De Belém
O governador Almir Gabriel (PSDB), e o secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara, foram ouvidos ontem, como testemunhas de defesa do coronel Mário Pantoja, do major José Maria Oliveira e do capitão Raimundo Almendra Lameira, envolvidos na morte de 19 sem-terra, em Eldorado dos Carajás, junto com outros 147 policiais militares. Segundo o advogado do governador, Pedro Bentes, ele negou que tenha autorizado as tropas a partir para o confronto com os sem-terra.
O depoimento do governador durou cerca de duas horas. Por ter foro privilegiado, tanto ele como o Sette Câmara, foram ouvidos na Granja Icuí, residência oficial do governo. O juiz Ronaldo Valle teve que transferir, por quase todo o dia, o Tribunal de Júri para o local. Somente permaneceram na Universidade da Amazônia (Unama), onde se realiza o julgamento, os três réus.
Gabriel não permitiu que a imprensa tivesse acesso a seu depoimento, mas seu advogado afirmou que ele negou todas as acusações. Ele classificou de absurda a declaração do coronel Pantoja acusando-o de ter ordenado que as tropas voltassem ao local, mesmo depois do confronto, disse Bentes. O advogado afirmou que o júri não corre risco de ser anulado por causa da falta de incomunicabilidade.
Por ser testemunha, segundo os advogados de defesa, Gabriel e Sette Câmara não poderiam ter acesso às informações sobre o julgamento. Na quinta-feira, o juiz Ronaldo Valle garantiu que, por ser autoridade, o governador teria mais este privilégio. É um caso excepcional, por isso não há problemas de incomunicabilidade, diz Bentes.
Com a transferência do júri para a residência oficial do governador, a movimentação dos sem-terra, que estão acampados próximo a Unama, também foi pequena. As lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) programaram para o mesmo horário um debate em uma igreja da periferia de Belém. Os poucos trabalhadores que permaneceram no acampamento ficaram fazendo comida e lavando roupas.
Policiais militares acreditam na absolvição dos três oficiais. Segundo um oficial, ligado à Associação dos Policiais e Bombeiros Militares do Pará, a falta de testemunhas comprometendo-os facilitará a decisão favorável dos jurados. Para alguns PMs, a situação mais complicada é de Pantoja, que ordenou a operação, mesmo sabendo das deficiências de sua tropa.





