Gabriel critica intenção do governo de transferir julgamentos para Justiça Federal
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terça-feira, 24 de agosto de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 25 (AE) - O governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB) criticou hoje a intenção do secretário Nacional de Direitos Humanos, José Gregori, de transferir os crimes contra os direitos humanos para a Justiça Federal. Se isso ocorrer o massacre de Eldorado dos Carajás, no qual 19 sem-terra foram mortos por policiais militares, sairia da Justiça Estadual. "Vejo isso com restrição, porque se somos uma federação temos é que fortalecer a Justiça em todos os seus planos e estabelecer uma hierarquia adequada. Isso é fundamental; é o que constrói uma nação".
Segundo o governador, que prestou essas declarações em um quartel do Exército, em Belém, durante solenidade em comemoração ao Dia do Soldado, a Justiça Federal precisa dar a homogeneidade necessária para que realmente melhore o acesso à justiça por toda a população. Ele disse que citaria alguns exemplos para defender sua opinião: "Carandiru, Candelária e Corumbiara, por que não resolveram até hoje?".
Para o governador, é necessário um esforço para a "desconcentração, e não a concentração". O fato de concentrar exageradamente em Brasília, observou, imobiliza o país, e isso é um fato claro. "A reforma agrária não foi também resolvida por causa da concentração em Brasília. Quanto mais concentra lá, mais distancia da realidade de cada Estado".
Questionado sobre a absolvição do coronel Mário Pantoja, do major José Maria Oliveira e do capitão Raimundo Lameira, acusados de comandar o massacre, o governador foi taxativo: "Minha postura diante de tudo que está acontecendo e do que aconteceu é de total, completa e absoluta discrição, porque se eu sou uma testemunha da Justiça, não posso estar emitindo opinião, e as pessoas precisam entender isso". Se falar sobre o caso, acrescentou Gabriel, pode concorrer para a nulidade ou o atropelo do julgamento. "Ao contrário de tantos outros Estados ditos bem mais adiantados que não resolveram seus problemas, o Estado do Pará mostrou que pode fazer e chegar até o julgamento".


