Brasília, 04 (AE) - A nomeação do funcionário público Rogério Amaro Barzellay para a presidência da Companhia Docas do Pará abriu uma crise no PSDB e aumentou a pressão do partido contra o ministro dos Transportes, o pemedebista Eliseu Padilha. Ao saber da indicação, o governador do Pará Almir Gabriel comunicou à cúpula do partido que estava deixando a legenda e viajou para Brasília, onde foi recebido por duas horas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e conseguiu mobilizar todos os dirigentes tucanos em seu favor.
No final do encontro com o presidente, Almir Gabriel anunciou que, diante da crise partidária, o presidente resolveu suspender a posse de Barzellay no cargo "até que sejam iniciadas negociações políticas", conforme declarou. "Por enquanto, eu permaneço no PSDB", avisou o governador. Barzellay foi eleito em assembléia para a presidência da entidade e é ligado ao presidente do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA). Ele substitui Carlos Acatahuassu, que também tinha vinculações com o senador mas que se aproximou de Gabriel. O governador pretendia mantê-lo no cargo.
Gabriel foi beneficiado hoje por uma coincidência: como vários governadores tucanos iam receber do presidente a condecoração do mérito cultural, a cúpula tucana estava toda em Brasília e se somou na pressão contra Padilha. Também escolhido para receber a honraria, Gabriel não apareceu na solenidade. Ainda no hangar do aeroporto, ele já se reuniu com o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, o governador do Ceará Tasso Jereissati e o presidente da legenda, senador Teotônio Vilella Filho (AL).
Ao falar com a imprensa, Gabriel atacou o ministro dos Transportes. "Eliseu Padilha está transformando o ministério dos Transportes em uma seccional do PMDB e atrapalhando o desenvolvimento do Pará", disse. Além das Docas do Pará, Jáder também mantém em sua cota política o presidente da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), que se reporta ao ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, também pemedebista.
A reação de Jáder Barbalho foi imediata, por meio de uma nota divulgada por sua assessoria, que contém uma ameaça velada caso a nomeação de Barzellay não se concretize: "O que aconteceu hoje é um processo fisiológico provinciano e torna-se difícil conceber que um ministro de Estado não possa dispor livremente de cargos de quinto escalão em sua hierarquia de comando", diz a nota, acrescentando que "ainda ontem, o ministro da Justiça José Carlos Dias demitiu o presidente da Funai, o pemedebista Márcio Lacerda, sem que o partido julgasse necessário se manifestar, porque o ministério da Justiça não é mais da alçada do PMDB". A nota finaliza afirmando: "Não cabe ao PMDB discutir decisões administrativas, mas cabe analisá-las politicamente."

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