Brasília, 28 (AE) - Apesar de protegido por policiais militares na área externa e de contar com um efetivo de segurança de cerca de 200 homens, o Senado não está imune a invasões. No fim de semana, o gabinete do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) foi invadido. Além dos estragos na sala, os invasores levaram um aparelho de fax, relógio de mesa, estatuetas, canetas e vários outros objetos de uso pessoal, como óculos, casaco e até um guarda-chuva.
De acordo com o senador, a situação que o funcionário Nélio Ferreira de Oliveira encontrou hoje pela manhã, quando chegou para trabalhar, era desolador. As gavetas foram reviradas
papéis, jogados no chão e os computadores, com algumas peças arrancadas, estavam desligados. A janela voltada para a direção da Praça dos Três Poderes, normalmente protegida por uma tranca extra, estava aberta. Suplicy disse que se sentiu aliviado por não terem levado os livros nem os relatórios e documentos que está usando para escrever "Em direção a uma renda de cidadania", obra sobre a aplicação do programa de renda mínima no Brasil e em vários países.
Segundo contou, esta é a primeira vez em nove anos e dois meses de mandato que o gabinete é invadido. "Espero que seja a última", afirmou. As marcas de lama de pés pequenos encontradas nas cadeiras levam os servidores do gabinete a supor que o arrombamento foi feito por menores. A Polícia Civil, encarregada da perícia, descartou inicialmente a possibilidade de arrombamento. A suspeita inicial é de que a invasão foi facilitada porque a porta ou a janela teria sido esquecida aberta. A conclusão sobre as investigações será anunciada esta semana.
Não é a primeira vez que as dependências do Senado são invadidas. Há cerca de três anos, foi arrombado um caixa eletrônico do Banco do Brasil (BB), que fica nas proximidades do plenário. Pouco depois, os seguranças encontraram um artefato, embrulhado em jornal, escondido no chamado "túnel do tempo", que liga o plenário ao gabinete dos senadores. Eles identificaram-no como sendo uma bomba, mas, no fim, concluíram que a intenção de quem escondeu ali o pacote suspeito - dando telefonemas ameaçadores - era desmoralizar a segurança. Ficou comprovado que o artefato não tinha poder nenhum de explosão.

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