G-8 consegue entrada da Rússia em força internacional
Bonn, 06 (AE-ANSA) - A primeira reunião dos chanceleres dos países do Grupo dos Oito desde que tiveram início os bombardeios da Otan contra a Iugoslávia conseguiu hoje (06) em Bonn que a Rússia aceitasse compor uma força internacional para Kosovo, aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Os ataques da Otan contra a Iugoslávia prosseguem por enquanto e muitos problemas continuam pendentes, mas a Rússia aceitou um acordo de princípio que prevê "aquartelar (em Kosovo) eficazes presenças internacionais e de segurança" com mandato da ONU para garantir o retorno dos refugiados.
Do texto adotado hoje pelo G-8 (Estados Unidos, Canadá, Japão, Grã-Bretanha, Alemanha, França, Itália e Rússia) não consta a palavra Otan nem a expressão "força militar", porque essas são as concessões exigidas pela Rússia para unir-se à iniciativa.
Entretanto, disseram fontes diplomáticas, a Rússia aceitou nos bastidores que a força estacionada em Kosovo esteja armada. "Deve ser - disse o chanceler britânico Robin Cook - uma força com dentes e os dentes a Otan procura."
"Será uma presença forte - afirmou a secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright - cujo núcleo será formado pela Otan, incluindo os Estados Unidos".
Em Roma, o chefe do governo italiano, Massimo DAlema, disse que a única força armada em Kosovo deverá ser a que estará sob a égide das Nações Unidas. "Todas as outras deverão estar desarmadas."
Os chanceleres do G-8 não fizeram nenhuma referência aos bombardeios, que talvez prosseguirão por dias ou semanas. A suspensão dos ataques dependerá da rapidez com que as linhas-mestras traçadas hoje em Bonn se traduzam em diretivas concretas e sejam colocadas numa resolução a ser submetida ao Conselho de Segurança.
Não faltará trabalho, como adiantou o ministro do Exterior alemão, Joschka Fischer, presidente de turno do G-8. "Há muito o que fazer - disse - antes de poder levar em consideração a suspensão dos bombardeios. Sobre isto, ainda existem divergências. Hoje encontramos uma linha comum sobre os princípios, mas ainda temos de desatar muitos nós. De toda forma
foi dado um passo substancial."
O chanceler russo, Igor Ivanov, não deixou de advertir aos sócios do G-8 que "agora se deve retomar as negociações com Belgrado e com todas as partes interessadas e não se pode nem sequer começar a se buscar uma solução política real sem antes suspender preventivamente as operações militares".
Segundo o que foi decidido em Bonn, os técnicos do G-8 devem começar a preparar uma resolução inspirada no capítulo 7 da Carta da ONU, que prevê o emprego da força para se restabelecer a paz e identificar "posteriores passos concretos" para a resolução pacífica da crise. A China será informada sobre os trabalhos desses técnicos, foi dito.
O esboço dos princípios comuns acertados pelo G-8 assume as cinco condições que a Otan já apresentou ao presidente iugoslavo
Slobodan Milosevic: estacionamento de uma força internacional em Kosovo, "fim imediato e verificável" da violência e da repressão em Kosovo, o retorno de todos os refugiados, acesso incondicional para organizações humanitárias e um processo político até um acordo que contemple "uma autonomia substancial para Kosovo".
No documento elaborado pelo G-8 são evocados explicitamente os acordos de Rambouillet (cujo fracasso levou aos ataques da Otan) como ponto de referência, assim como a integridade territorial da Iugoslávia e a desmilitarização do Exército de Libertação do Kosovo (ELK).
Segundo o G-8, o Conselho de Segurança da ONU também deverá estabelecer os termos de uma administração "interina" de Kosovo para "garantir a vida pacífica e normal de todos os habitantes" da província.
Alguns analistas consideram que, neste sentido, a União Européia terá provavelmente um papel-chave, dirigindo a reconstrução da Iugoslávia arrasada pelos bombardeios e elaborando um plano de estabilidade a longo prazo para os Bálcãs.





