COLÍNIA, Alemanha, 08 (AE-AP) - Os chanceleres do Grupo dos Oito (sete países mais ricos e Rússia) aprovaram hoje (08), depois de 12 horas de discussão, o texto do projeto de resolução para encerrar o conflito de Kosovo que será submetido ao Conselho de Segurança da ONU.
Continuam no entanto divergências entre a Rússia e os demais membros do G-8 sobre o papel da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na força de paz. A Otan exige o comando das operações, a Rússia opõe-se.
O chanceler russo, Igor Ivanov, disse que as pendências serão debatidas na reunião do conselho, que deverá ocorrer dentro de 24 a 48 horas.
Por imposição russa, o texto não cita a Otan diretamente, referindo-se a ela como "organização internacional apropriada", mas fala em "comando unificado".
O presidente americano, Bill Clinton, admitiu hoje, no entanto, a possibilidade de que as forças russas que serão enviadas a Kosovo (cerca de 10 mil homens) ajam sob ordens diretas de Moscou. Clinton manteve um longo contato telefônico na segunda-feira com seu colega russo, Boris Yeltsin
Comentando a questão após a reunião do G-8, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer, assegurou: "O mais duro das pendências ficou para trás."
Por sua vez, o chanceler britânico, Robin Cook, disse que "a bola agora está no campo de Belgrado", aludindo ao cronograma da retirada total das tropas sérvias de Kosovo - apresentado pela Otan na sexta- feira -, ainda não aceito pelo presidente Slobodan Milosevic. "Não há nenhum motivo agora para que tudo não termine em alguns dias."
As negociações entre militares sérvios e o general britânico Michael Jackson, chefe de força de reação rápida da Otan, foram retomadas hoje à noite em Kumanovo (fronteira macedônia).
Segundo o porta-voz do Departamento da Defesa dos EUA, Kenneth Bacon, os serviços secretos americanos detectaram indícios de que os sérvios já estão preparando a retirada.
A secretária de Estado americana, Madeleine Albright, saiu da reunião do G-8 aparentando alívio: "Conseguimos o que queríamos."
Segundo Cook, o projeto de resolução elaborado pelo G-8 só será votado pelo CS após o início de "uma retirada verificável" das forças iugoslavas e o consequente encerramento da campanha aérea contra a Iugoslávia - o que satisfaria exigências da Rússia e da China. "Alguns membros do Conselho de Segurança não querem adotar esse texto antes do fim da campanha militar", acrescentou Cook.
Rússia e China condicionavam sua aprovação ao projeto de resolução à suspensão dos bombardeios pela Otan. A aliança, por sua vez, rejeitava a concessão de uma trégua sem uma retirada verificável dos sérvios. "Portanto, decidimos não submeter ainda o projeto ao conselho", acrescentou o chanceler britânico.
Contudo, membros do Conselho de Segurança reuniram-se hoje a portas fechadas para um exame preliminar do texto.
A Otan elogiou o texto, mas prosseguiu hoje a pressão militar sobre Milosevic, realizando 658 missões de bombardeio. Fortalezas voadoras B-52 atacaram refinarias de petróleo em Belgrado e Novi Sad e tropas sérvias em Kosovo. Em Novi Sad, centenas de soldados sérvios podem ter morrido, segundo fontes da Otan.

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