Havana, 13 (AE-AP) - Após denunciarem na véspera a ordem econômica mundial como responsável pelo empobrecimento de milhões de pessoas e como ameaça à estabilidade das nações em desenvolvimento, os líderes do Terceiro Mundo reunidos em Havana discutiram hoje (13), a portas fechadas, sobre a melhor maneira de convencer as grandes potências econômicas a dividirem melhor sua riqueza.
Além de tentar colocar em brios as nações industrializadas chamando a atenção para o crescente distanciamento entre ricos e pobres e as estatísticas que denunciam a fome e a mortalidade infantil, os líderes do Grupo dos 77 tentaram estabelecer metas comuns e maior cooperação entre os 133 países que atualmente o compõem.
Os 40 chanceleres reunidos em Havana instaram à ONU que assuma papel mais ativo na luta pelo desenvolvimento econômico e na transferência de tecnologia para os países pobres. Os ministros também pediram maior "transparência" e "democratização" do Conselho de Segurança da ONU, incluindo assentos permanentes do Conselho para nações em desenvolvimento.
O Conselho de Segurança, único organismo da ONU com poder de impor suas decisões econômica ou militarmente, tem cinco membros permanentes EUA, Reino Unido, França, Rússia e China e dez não-permanentes com mandatos rotativos de dois anos.
EUA e França são favoráveis à criação de mais cinco assentos permanentes para Japão, Alemanha e um membro da ásia, um da áfrica e um da América Latina, a serem selecionados em suas próprias regiões. Outros dos cinco membros são contrários à idéia por acharem que o poder de veto dos membros permanentes poderia congelar as decisões do Conselho.
Os chanceleres também pediram maior participação de seus países nas decisões-chave de instituições financeiras como Banco Mundial e FMI, que impõem muitas vezes um grau de austeridade econômica julgada "impraticável" pelos países do Terceiro Mundo.
Houve, porém, algumas divergências entre as estratégias propostas pelos chanceleres, refletindo o amplo espectro das ideologias e estágios de desenvolvimento dos países-membros do G-77. Diferenças marcantes como as existentes entre Brunei um sultanato islâmico com 360 mil habitantes, cuja renda per capita é uma das mais altas da ásia (US$ 14.800 em 1997) e Malauí, um dos mais pobres países do Sudeste africano, onde 60% dos 11 milhões de habitantes vivem abaixo da linha de pobreza e onde 265 mil já morreram de doenças relacionadas com a aids.

mockup