Futuro dos papéis do banco divide gestores de fundos
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sexta-feira, 24 de setembro de 1999
Por Paula de Santis 
São Paulo, 25 (AE) - Os administradores de fundos de investimento que têm parte dos seus recursos aplicada em ações do Banespa divergem quanto ao futuro do papel e se confundem até para explicar aos cotistas - acionistas minoritários da instituição - os efeitos da multa da Receita Federal sobre o valor do banco e, por consequência, das ações. Muitos gestores, inconformados com o prejuízo, resolveram apostar no papel e comprar ainda mais, agora que os preços estão baixos. Eles contam com o apoio de um forte acionista minoritário, também bastante prejudicado: o Estado de São Paulo.
Outros pensam nas ações como uma oportunidade de curto prazo e risco alto. Compram o papel para vendê-lo rapidamente, antes que qualquer decisão seja tomada. Os gestores que não aceitam a hipótese de perder seus lucros estão considerando a possibilidade de entrar com uma ação judicial contra o governo federal. A Vértice, administradora de fundos, por exemplo, investiu capital de clientes estrangeiros em fundos com grande participação de ações do Banespa. O diretor-presidente da empresa, Isaac Michaan, não conseguiu explicar a esses cotistas como a Receita multou o Banco Central, ambos órgãos do governo federal.
"Se a Receita fosse eficiente, tinha percebido isso há 12 anos", disse Michaan, referindo-se ao período das normas contábeis seguidas pelo banco, com apoio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), auditores independentes e do Ministério da Fazenda. "A decisão de cobrança ou não da multa pode levar muitos anos e o investidor não pode ficar sem saber quanto vale o que tem". O sócio da corretora Magliano, Armando de Toledo, já teve 10% dos fundos carteira livre em Banespa. Hoje tem apenas 2%. "O risco é muito alto e o papel vale apenas como oportunidade de ganho no curto prazo", disse.
O diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, Júlio Ziegelman, não considera investir em Banespa nem no curto prazo. Cerca de 3% dos recursos estavam aplicados nos papéis, que não foram vendidos. "O preço está muito baixo, mas o risco é alto demais para comprar", afirmou. Michaan também manteve as ações em carteira e está comprando mais para os fundos em que ainda há espaço. Para ele, o preço justo das ações preferenciais, que fecharam a sexta-feira a R$ 53,70, é R$ 77,00, sem considerar o pagamento da multa. As ações ordinárias, com direito a voto, caíram 7,7% na sexta-feira, para R$ 39,70. "Isso é um desrespeito às leis, o governo não pode ser o exemplo de como tratar mal o acionista", afirmou.


