O secretário José Tavares disse ontem que caberá à Justiça decidir qual o processo que vai decidir o futuro do soldado Joel de Lima Santana. Um inquérito policial civil e outro, policial militar, apuram as circunstâncias dos dois confrontos na BR-277 e a morte do agricultor Antônio Tavares Pereira. ‘‘A Justiça vai dizer quem é competente para julgar esse processo’’, disse Tavares. Santana está exercendo funções administrativas no 12º BPM até a conclusão do inquérito policial militar.
Questionado sobre o mandado judicial (interdito proibitório) com data vencida apresentado aos sem-terra, para justificar a proibição de seguirem até Curitiba, Tavares declarou: ‘‘Isso não tem fundamento’’. O secretário justificou que a Secretaria de Segurança Pública ‘‘tinha o dever constitucional de agir preventivamente’’ para evitar que os manifestantes invadissem prédios públicos em Curitiba. Ele relatou que tinha informações de que os edifícios do Incra e da Receita Federal seriam invadidos e havia risco do Palácio Iguaçu ser tomado pelos sem-terra.
‘‘Eles estavam dispostos a tudo. Nos apoiamos em informações que o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) vinha para fazer baderna’’, sustentou Tavares. O secretário tentou se justificar porque negou que Antônio Tavares Pereira não tinha sido baleado na BR-277. Ele disse que não foi informado do primeiro confronto, quando Pereira sofreu o tiro.
Tavares criticou publicamente o titular da delegacia de Homicídios, Fauze Salmen, que divulgou que o disparo tinha partido de um policial militar. ‘‘Ele se precipitou, não tinha o laudo que eu tenho. Poderia ter errado. Somente os peritos podem se pronunciar’’, disse. (D.V.)

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