Buenos Aires, 24 (AE) - A Aliança UCR-Frepaso possui um integrante que está apostando seu futuro nestas eleições: é o Frepaso, partido que é por si só uma coalizão de partidos socialistas, emigrados peronistas descontentes com o neoliberalismo do presidente Carlos Menem, democratas-cristãos e defensores dos Direitos Humanos.
O partido, surgido há menos de uma década, cresceu graças a uma persistente cobrança de respostas dos escândalos de corrupção do governo. Agora, terá que governar junto com a centenária UCR.
O vice de De La Rúa é o frepasista Carlos "Chacho" álvarez, cargo que lhe servirá de torre de observação para manter o equilíbrio entre a bem-estruturada, mas enferrujada, UCR, e o jovem Frepaso, carente de filiados e de enxuta estrutura física.
Mas, para assegurar seu espaço na coalizão, precisa obter o governo da província de Buenos Aires, onde sua candidata, a frepasista Graciela Fernández Meijide, enfrenta o peronista Carlos Ruckauf.
A disputa é apertada. Se Meijide perder, enquanto De La Rúa ganhar para presidente, o Frepaso perderá seu recente prestígio, desequilibrando a relação. Desta forma, Aníbal Ibarra, candidato do Frepaso às eleições de junho do ano 2000 para a prefeitura de Buenos Aires, teria que renunciar à sua candidatura para dar lugar a alguém de maior prestígio, e com menos possibilidades de perder.
Neste caso, o Frepaso, que possui poucas lideranças conhecidas, necessitaria de álvarez, que teria que deixar seu cargo de vice, para defender o único território onde ainda possuiria um elevado contingente de eleitores. Desta forma, os analistas consideram que o Frepaso desapareceria como uma opção partidária nacional. Na UCR comenta-se a diretriz: "ao ganharmos, não podemos dar nenhum cargo de importância ao Frepaso".
Mas se Meijide vencer na província de Buenos Aires, tudo será diferente: o prestígio por essa vitória obrigará a UCR a ceder ministérios e secretarias, e De La Rúa terá dois problemas de governabilidade: um forte Frepaso dentro da coalizão, com tendências de ser o ombudsman do governo, além de um ferido e dividido partido peronista na oposição.

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