São Paulo, 03 (AE) - O futuro delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Marco Antônio Desgualdo, tem como prioridade o combate aos assaltantes e traficantes. Ele quer fortalecer o trabalho na investigação dos crimes e mandar para as ruas todos os policiais disponíveis. "Lugar de investigador, de delegado é prendendo bandidos e não nos corredores das delegacias."
Ele quer que os distritos voltem a apurar crimes, pretende unificar o trabalho dos departamentos, motivar cada vez mais o policial e acabar com o resgate de presos. Desgualdo já escolheu seus diretores e disse que trabalhando direito os policiais terão o respaldo dos chefes. "Os corruptos e violentos sabem que não terão futuro na instituição." AE - Como será o trabalho com a Polícia Militar? Marco Antônio Desgualdo - Os comandos das duas polícias estão unidos e a atuação será de comum acordo. Vamos trocar informações e é preciso acabar com qualquer concorrência, porque o objetivo é um só: dar a tranquilidade que a população tanto espera. AE - Parte da Polícia Civil está acomodada. Como o senhor pretende reverter isso? Desgualdo - Vamos exigir, cobrar o trabalho todos os dias. Para isso os chefes serão instruídos. Aquele que não estiver de acordo com a nossa filosofia não continuará. Unindo a investigação dos departamentos e realizando o policiamento preventivo especializado esperamos ter uma resposta positiva para a redução do crime. O policial deve vibrar com seu trabalho e para isso não existe idade. AE - Como será o atendimento nos distritos? Desgualdo - A polícia deve entender que está para servir a sociedade. Quem procura o plantão está angustiado, desesperado e não pode ser maltratado. Não vamos compactuar com nenhum tipo de descaso. É preciso reverter a imagem negativa criada nos últimos anos e aplaudir sempre o policial quando o trabalho for bem feito. AE - O senhor sabe quantos policiais estão ociosos, sem trabalhar? Desgualdo - Temos um levantamento dos meios materiais e de pessoal dos departamentos na capital e no interior. Os diretores nos dirão todas as semanas o que os policiais estão fazendo, o número de crimes esclarecidos, as prisões. A polícia deve e vai trabalhar num ritmo forte, mas dentro da legalidade. AE - A polícia sempre soube dos bairros com maior índice de criminalidade. Por que não consegue diminuí-la? Desgualdo - Vamos utilizar as estatísticas. Na capital sabemos que são sempre os mesmos bairros a registrar um número grande de roubos, furtos e roubos e furtos de automóveis. Não podemos deixar o crime evoluir e o policial da área deverá justificar o porquê do aumento. AE - E as invasões nos distritos e os resgates de presos? Vão continuar? Desgualdo - Isso deve acabar. Vamos acompanhar de perto o trabalho dos policiais nos plantões, reforçar os que têm maior número de presos e procurar colocar os criminosos na cadeia. O policial não pode e não deve ficar desamparado.

mockup