Imagem ilustrativa da imagem Futuro com disponibilidade de água depende de cada um
| Foto: Anderson Coelho
Bacia do Alto Iguaçu é a primeira do Estado a ser adotada pelo Coalizão Cidades pela Água



Curitiba - Uma conta que, com o comportamento atual em relação ao consumo e preservação da água, não vai fechar no futuro. O aumento no consumo (doméstico, industrial e agrícola), aliado à perda de qualidade da água, reduz a disponibilidade do recurso e torna evidente o risco à segurança hídrica para a população no Paraná, no Brasil e no mundo.
Apostando na crescente sensibilização da sociedade, a maior organização ambiental do mundo, a ONG The Nature Conservancy (TNC), propôs em novembro de 2015 a chamada Coalizão Cidades pela Água. Trata-se de uma proposta de trabalho em conjunto com empresas, órgãos públicos, entidades e governos a fim de incluir nas estratégias de negócio da iniciativa pública e privada ações para preservação e recuperação de mananciais.
Em junho, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) tornou-se a primeira instituição industrial do País a abraçar a iniciativa. "Nosso objetivo é que até o final do ano pelo menos quatro indústrias instaladas na região da bacia do Alto Iguaçu integrem a coalizão", explica o gerente de Meio Ambiente da Fiep, Rafael Moreira.
Para ele, a falta de preocupação com a escassez de água ainda está presente no Estado. Um exemplo desse descaso é o fato de que muitas empresas captam da Bacia do Alto Iguaçu pelo regime de outorga, pagando pouco ou nada pela água. Para se ter uma ideia, duas grandes empresas da Região Metropolitana de Curitiba consomem juntas mais de 36 milhões de metros cúbicos por ano, mas pagam cerca de R$ 250 mil por ano. "Os consumidores industriais de baixo volume, que representam 191 empresas, simplesmente não pagam pela água outorgada usada na atividade", aponta. "Nossa estratégia de sensibilização passa tanto pelo argumento dos riscos oferecidos ao negócio, que são os operacionais, reputacionais e regulatórios, quanto pela redução de custos operacionais da atividade industrial ao se acessar uma água de melhor qualidade, que exigirá menos tratamento", explica Moreira.

INVESTIMENTO VERDE
Pelo estudo da TNC, a capital paranaense lidera entre as 12 maiores regiões metropolitanas do País que, atuando de maneira integrada na preservação e recuperação de mananciais, podem ter o maior retorno financeiro ao participar do aumento da segurança hídrica de um universo de 62,6 milhões de pessoas no Brasil e respondem por 45% do PIB nacional (R$ 2 trilhões). "Identificamos Curitiba como a primeira região metropolitana do Brasil e a segunda da América Latina que mais tem a ganhar ao investir na preservação de seus mananciais porque, mesmo não estando sob estresse hídrico, está com a luz amarela acesa, já que as projeções convergem para um aumento significativo no consumo industrial, pressionando a demanda nos reservatórios da região", aponta o gerente de água da TNC no Brasil, Samuel Barrêto. "Até o final de agosto já teremos definidos os parâmetros de modelagem e que áreas vão trazer uma resposta mais efetiva, para que até outubro validemos com os nossos parceiros os pontos de priorização em que será necessário investir, principalmente no que envolve restauração florestal e conservação de solos", acrescenta a coordenadora do Módulo Curitiba da Coalizão Cidades pela Água, Marília Borgo.
Barrêto destaca que a Coalizão traz uma maneira inovadora de olhar coletivamente para a questão. "Começamos pela Bacia do Alto Iguaçu, mas nada impede que as empresas da região de Londrina abracem a iniciativa porque o enfrentamento da degradação e do desperdício são tão fluídos quanto o próprio líquido essencial à vida e carregam o impacto da ação de governos, empresas, produtores rurais e comunidade, sob a qualidade e quantidade de água disponível para o uso de todos nas próximas décadas", defende.
O aspecto positivo desse quadro é que essas forças também se multiplicam na hora de reverter a situação. "Na revisão dos nossos estudos globais percebemos que, agindo coletivamente com essa lógica da Coalizão aplicada em 4 milhões de hectares de área ocupadas por bacias hidrográficas, em cinco anos, aumentaremos a segurança hídrica de 80 milhões de pessoas no mundo", revela.
A Coalizão conta com um aporte de R$ 18 milhões, o equivalente a 15% da expectativa total de arrecadação de R$ 120 milhões nos primeiros cinco anos. Tal quantia deve ser captada junto aos órgãos públicos e privados, como os da compensação ambiental. O total de investimentos deve chegar a R$ 1 bilhão no fim do período. Além de toda a justificativa sob o viés da sustentabilidade, a análise da TNC mostra que, além de aumentar a segurança hídrica, o trabalho de recuperação florestal, bem como o de preservação ambiental, melhora a qualidade da água e, por consequência, proporciona economia significativa no processo de abastecimento. Segundo a TNC, uma redução de 10% na concentração de sedimentos e nutrientes dos rios reduz em 5% o custo de tratamento da água.

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