Futebol francês pouco evoluiu após a conquista do mundial
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quinta-feira, 03 de junho de 1999
Por Reali Júnior 
Paris, 04 (AE) - Se um ano após a conquista da Copa do Mundo, a equipe nacional francesa não desmereceu seu título, permanecendo invicta durante toda a temporada, tendo recentemente derrotado a difícil equipe da Ucrânia, mantendo mais ou menos o seu mesmo nível técnico, o mesmo não se pode dizer do futebol francês em geral. As campanhas do campeão Bordeaux e do vice, o Olympique de Marselha, não chegaram a ser brilhantes na temporada, no campeonato e na disputa da Copa da França, mesmo se ambos estiveram acima dos demais clubes.
As duas melhores equipes do futebol francês apresentaram um balanço apenas razoável. Isso se deve, em parte, ao aumento do êxodo dos grandes jogadores franceses para o exterior. Com a abertura das fronteiras pela União Européia, após o decreto Bosman, e a conquista da Copa pela França, o interesse dos clubes por jogadores franceses aumentou consideravelmente. Hoje, 40 entre os melhores jogadores franceses encontram-se na Itália, Espanha, Alemanha e principalmente na Grã Bretanha, isto é, Inglaterra e Escócia. Entre os 22 campeões do mundo, 14 jogam no exterior.
Atualmente a diáspora francesa talvez não seja tão numerosa quanto a brasileira ou argentina, mas nada tem a perder para esses dois países quando se trata do número de jogadores de alto nível que se expatriaram. Basta citar a presença de Deschamps, Zidane, Thierry Henry, Djorkaeff, na Italia; Desailly, Ginola, Petit na Inglaterra, Karembeu na Espanha, Lizarazu na Alemanha e muitos outros. Isso se deve, em grande parte, a política fiscal francesa, onde as taxas são excessivamente elevadas, não só afugentando a maior parte dos grandes salários do futebol francês, mas também não permitindo a contratação de grandes nomes no exterior. O fisco chega a cobrar, em alguns casos, 50 % dos ganhos dos jogadores.
Dessa forma, o nível dos jogadores estrangeiros no futebol francês também já não é o mesmo de anos anteriores. Atualmente, o nome de maior destaque é o do avante italiano Simone e do veterano Ravanelli. Os clubes franceses não tem condições de competir financeiramente com os países vizinhos, onde existe uma maior flexibilidade fiscal. Zidane, por exemplo, está disposto a deixar o Juventus da Italia, admitindo sua transferência para outro clube italiano, para o Manchester da Inglaterra ou o Real Madri da Espanha, mas não pensa em voltar para a Franca. Só os jogadores em fim de carreira pensam em voltar para o futebol francês pensando num último contrato antes da reconversão profissional.
Nem todos, entretanto, concordam com esse raciocínio, entre eles, Alain Leiblang, ex-chefe de imprensa do CFO da Copa do Mundo, hoje secretário de imprensa de Michel Platini, na FIFA. Esse jornalista reconhece que depois da Copa houve uma natural perda de motivação dos jogadores campeões do mundo, mas a equipe nacional não perdeu sua condição técnica, o que explica sua invencibilidade durante a temporada. A seu ver, também os demais jogadores franceses que não fizeram parte da seleção estão conscientes de que fazem parte do futebol campeão do mundo. Na verdade, a França preza muito seu título, evitando, por exemplo, encontros amistosos contra equipes a risco.
Esse foi o caso de sua desistência de disputar a próxima Copa das Confederações, onde deveria enfrentar o Brasil, uma revanche ainda fora de hora, na opinião de seus técnicos.
Leiblang não concorda quando se diz que o nível técnico da temporada não foi dos melhores. Segundo ele, o campeonato francês serviu para revelar novos nomes que já estão sendo selecionados pelo novo treinador Roger Lemerre, antigo braço direito de Aimé Jacquet, hoje técnico titular. Ele cita os nomes dos atacantes de Bordeaux Laslandes, Wilthod e do goleiro Ramé. Isso para não falar do jogador Bernabia que mesmo não sendo um jovem foi o melhor jogador da temporada.


