Futebol francês atravessa situação delicada17/Mar, 12:30 Por Reali Júnior Paris - O futebol francês campeão do mundo encontra-se num estado calamitoso apenas dois anos depois da conquista do título, temendo-se por uma má prestação da seleção nacional na próxima Copa da Europa das Nações, prevista para o mês de junho. A classificação da equipe nacional ainda constituída por uma maioria de veteranos jogadores campeões do mundo de 1998 não foi fácil. Ao mesmo tempo, os principais clubes franceses se encontram desclassificados das copas européias, exceção do Lens que graças a um empate com o Celta da Espanha sobrevive a duras penas na Uefa. Na ultima semana, o Olympique de Marselha foi goleado pela Lazio de Roma por 5 a 1 e o Bordeaux perdeu por 4 a 1 em seu próprio campo para o Valência da Espanha, ilustrando a má fase gaulês. Muita gente já admite que a França só foi campeã do mundo favorecida por uma série de circunstancias muito favoráveis, inclusive um Brasil irreconhecível em campo, desestabilizado pela crise neurológica do atacante Ronaldinho poucas horas antes do inicio da partida final. Uma das principais razões citadas para esse declínio do futebol francês é o êxodo de seus principais atletas, afugentados pela forte carga tributária francesa, buscando garantir no exterior seu pé de meia. Hoje, praticamente toda a equipe nacional campeã do mundo, com exceção de Barthez e Trezeguet do Monaco, jogam fora. Desailly, Petit , Deschamps, Thierry Henry, Leboeuf na Inglaterra; Thuran, Zidane, Candela na Italia, Karembeu na Espanha, Lizarazu na Alemanha. Só Trezeguet encontra-se entre os principais artilheiros do campeonato nacional , pois os demais são jogadores estrangeiros como o italiano Simone e os brasileiros Anderson, Christian e Alex. A verdade é que a França , onde o imposto de renda pode comer até 54% do salário de um atleta, além de outras normas restritivas impostas a administração dos clubes, não tem os meios necessários para manter um campeonato no mesmo nível do italiano, inglês, espanhol e mesmo alemão. Os orçamentos do Bayern da Alemanha e do Manchester da Inglaterra , 100 e 120 milhões de dólares são muito superiores ao dos melhores clubes franceses como o Paris Saint Germain, Marselha , Lyon. A maior contratação da temporada foi o atacante brasileiro Anderson do Lyon que custou 100 milhões de francos (16 milhões de dólares ) , mas esse e outros clubes franceses tem cacife para contratar Rivaldo do Barcelona ou Ronaldinho do Grêmio de Porto Alegre. Soma-se a isso, segundo crítica do treinador Luis Fernandez, atualmente no Atlético de Bilbao, a má administração do calendário. Não é possível disputar ao mesmo tempo e com sucesso o campeonato francês, uma copa européia, e as Copas da França e da Liga. Os efetivos não são suficientes e, a uma certa altura, os maus resultados se acumulam em todos esses cenários. Hoje, a França, campeã do mundo joga um futebol de segunda classe, a exemplo dos campeonatos português, norueguês, dinamarquês e de outros países da Europa de leste. São países, exportadores de mão de obra altamente qualificada, isto é, formam jogadores para os países vizinhos, pois os melhores se expatriam .O futebol de primeira classe só se pratica na Europa em países como Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália e lá se encontram jogadores de todo o resto da Europa, da áfrica e da América Latina, inclusive do Brasil. Isso se deve, também ao famoso decreto Bosman que liberalizou totalmente o mercado de transferências em nome da livre circulação no território europeu. Se o decreto Bosman foi uma espécie de Lei áurea para o futebol na Europa, acabando com um regime de semi-escravidão mantido anteriormente, contribuiu para penalizar a administração financeira dos clubes. A direção da Fifa encontra-se reunida em Portugal com os comissários europeus, buscando uma saída para esse desequilíbrio. Não se trata de voltar atrás e restabelecer o sistema anterior, mas sim achar uma fórmula legal que restabeleça as quotas de jogadores estrangeiros. Cada clube seria obrigado a manter em campo seis jogadores nacionais por partida, evitando que uma equipe inglesa ou italiana alinhe uma formação inteiramente estrangeira, o que já tem acontecido. Hoje, existe um grande fosso entre os grandes clubes do Velho Continente e os melhores clubes franceses, uma situação que poderá durar muito tempo. A final deste ano da Liga dos Campeões será disputada no Stade de France, o mesmo que viu a França tornar-se campeã do mundo contra o Brasil, mas ela não contará com a presença de qualquer clube francês.

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