Curitiba- As turmas escolares com poucos alunos terão que ser readequadas antes da volta às aulas no final do mês. A determinação é da Secretaria de Estado de Educação, que resolveu aplicar a Resolução 864 de 2001 em todas as 2,1 mil escolas da rede pública estadual de ensino. A resolução estabelece que as salas de aula devem ter três metros quadrados para o professor e um metro quadrado por aluno. Assim, uma sala com 35 metros quadrados deverá ter 32 alunos. A variação poderá ser de até três alunos.
Segundo a diretora do Departamento de Infra-Estrutura da Secretaria de Estado de Educação, Ana Lúcia Schulhan, foi realizada uma auditoria interna que verificou que 17% das escolas paranaenses apresentavam distorções entre o número de turmas e de alunos. ''Imediatamente avisamos para que as escolas fossem ajustadas. O problema é que o diretor prefere não ajustar para não perder recursos do fundo rotativo e para manter o quadro de professores'', afirmou.
Com a readequação, o governo do Estado, que já teve gastos com o reajuste salarial dos professores, poderá economizar na administração escolar e no custo com os professores celetistas e os que foram contratados por tempo determinado. Dos 70 mil professores da rede estadual, cerca de 13 mil não são concursados. ''Vamos fazer uma troca padrão. Enxugaremos a estrutura e colocaremos nos quadros os professores concursados'', declarou ela.
Na próxima quarta-feira, mil professores concursados serão nomeados e deverão ser encaminhados para as escolas estaduais. ''Estamos colocando pessoas efetivas nas escolas'', justificou. O Sindicato da Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato) teme que a junção de turmas acabe ocasionando uma superlotação nas salas de aula. Segundo o presidente da APP, José Lemos, diversas escolas ficarão com turmas com cerca de 45 alunos. ''O número não condiz com a qualidade de ensino. O professor não tem como acompanhar de perto um número tão expressivo de alunos'', rebate o professor.
Lemos lamenta ainda a demissão que será ocasionada com a redução das turmas. ''O que o Estado imagina que é economia vai ser prejudicial para a saúde dos professores e vai trazer prejuízos financeiros porque vai ocasionar repetência e evasão escolar. A repetência é mais cara para os cofres públicos do que turmas pequenas'', declarou ele. Dados apresentados pela APP apontam que o Paraná tem atualmente a maior média de aluno por turma no ensino fundamental do Sul do Brasil: 33,7. No Rio Grande do Sul, a média é de 26,2 e em Santa Catarina, 29,3. A resolução aponta que apenas não entrarão no critério de junção as turmas com alunos com necessidades especiais, locais onde a escola é a única no município, onde os alunos precisam ir para as escolas com transporte escolar.
O máximo de aluno em cada turma, segundo a resolução, é de 45. O número pode chegar a 48, se considerada a variação de até três alunos prevista na resolução. Todas as alterações, segundo a secretaria, terão que ocorrer até o dia 26 de julho.

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