Paris, 07 (AE) - O ministro da Economia da França, Dominique Strauss Khan, está recorrendo ao Conselho da Concorrência para determinar se a megafusão Carrefour-Promods se encontra ou não em posição dominante no mercado francês.
Existe uma forte presunção de que esse novo gigante da distribuição alimentar possa esmagar seus fornecedores, impondo seus preços. Ao mesmo tempo, o grupo poderá ditar seus preços aos consumidores, aumentando sua margem de lucro.
Isso explica a preocupação das autoridades francesas com esse novo gigante do setor, responsável por 30% do varejo na França, o segundo grupo mundial, muito bem instalado também na América Latina, especialmente no Brasil, só perdendo para o norte-americano Wall Mart.
Essa situação européia poderá caracterizar-se, no médio prazo, também no Brasil, onde o grupo mantém uma política igualmente agressiva. Provada essa posição dominante, o grupo Carrefour- Promods poderá ceder a seus concorrentes algumas unidades em nome do respeito a concorrência.
Diante do tamanho e do espaço ocupado pelo novo grupo, a competência será da Comissão de Concorrência da União Européia, mas o governo francês pretende examinar, antes de mais nada, as consequências dessa fusão no mercado doméstico. Isso apesar de a direção dos dois grupos considerarem o mercado europeu, onde realizam 80% de suas vendas, como o seu mercado doméstico.
Hoje, o líder dos agricultores, Jose Bove, detido desde o dia 19 de agosto, foi libertado mediante o pagamento pelos sindicatos agrícolas, incluindo os norte-americanos, de uma caução de 105 mil francos. Ele promete que a campanha contra os grandes varejistas e as lojas McDonalds, símbolo do sistema alimentar norte-americano, vai continuar protestando contra essa duas situações que considera "intoleráveis": a redução da margem de lucro na produção a níveis insustentáveis imposta pelas centrais de compras e o boicote contra produtos agrícolas franceses nos EUA, fortemente taxados.
A megafusão Carrefour-Promods foi aprovada pelas autoridades da bolsa francesa, mas a última palavra será dada pelas autoridades do Ministério de Economia. Só na França, o novo grupo conta com 268 hipermercados e 1.331 supermercados, representando 28% das vendas de produtos de grande consumo.
Um levantamento de uma empresa especializada LSA, sobre as unidades do novo grupo na França, revela que o Carrefour vai dispor de um terço dos espaços comerciais alimentícios do país em 48 aglomerações urbanas, sendo que em oito delas a porcentagem é ainda superior, 50%.

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