Furnas descarta má-fé
Brasília, 12 (AE) - O presidente de Furnas, Luiz Laércio Simões, afirmou hoje que a empresa já tomou medidas para evitar que se repita nos seus equipamentos a interrupção no fornecimento de energia, como ocorreu na noite de quinta-feira. Segundo ele, todo o sistema da empresa está íntegro e pequenos problemas localizados estão sendo recuperados. Simões descartou a hipótese de que tenha havido má-fé "de quem quer que seja", que possa ter gerado o blecaute.
Segundo ele, a causa mais provável foi o que ele chamou de "distúrbios elétricos que podem ter sido produzidos por questões adversas hidrometeorológicas". Ele lembrou que chovia muito na região de São Paulo, com muitas descargas atmosféricas. "E sabe-se que essas descargas podem acionar mecanismos de proteção do sistema elétrico brasileiro", disse o presidente de Furnas ao justificar o desligamento das usinas geradoras.
De acordo com Simões, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é quem vai definir se haverá ou não a indenização para os prejuízos causados à população. "A Aneel é quem defende o consumidor." Ele fez questão de ressaltar que o sistema interligado brasileiro não está deteriorado, que Furmas investiu entre R$ 2,6 e R$ 3 bilhões nos últimos três anos e no ano passado a empresa teve um lucro de R$ 450 milhões, o maior de sua história.
Folga - No Rio, a direção do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou ontem que o sistema de geração de energia operava com folga de 8,8 mil megawatts no momento do desligamento, que teria ocorrido primeiramente nas quatro linhas de transmissão do sistema de Itaipu, que pertence a Furnas.
O blecaute causou queda de energia de 60,5% (22,4 mil megawatts, sendo 10,2 mil megawatts só de Itaipu) do total do sistema Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Foi um dos maiores já registrados no País, semelhante ao de 1985. As causas não foram descobertas. Segundo técnicos do ONS, o trabalho de análise pode levar até dois meses. Estão sendo avaliados dados emitidos por cerca de 30 aparelhos instalados em usinas e subestações, semelhantes às caixas-pretas de aviões, que registram oscilações e possíveis.





