Furnas Centrais Elétricas inaugura 3ª linha de transmissão
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sábado, 20 de março de 1999
Por Valmir Denardin 
Foz do Iguaçu, PR, 21 (AE) - Dez dias depois de um blecaute que atingiu 70% dos consumidores brasileiros, a estatal Furnas Centrais Elétricas colocou em operação hoje, em fase de testes, a terceira linha de transmissão em corrente alternada da energia gerada pela Hidrelétrica de Itaipu. Os testes prolongariam-se durante toda a noite e, se não ocorressem problemas, a ativação completa da linha será feita ammanhã (22). Se confirmada, a transmissão começa com dois meses de atraso. Em 17 de janeiro, a explosão de um trasformador de corrente impediu que o sistema entrasse em funcionamento.
O principal objetivo da terceira linha é dar mais segurança ao sistema, reduzindo a possibilidade de blecautes em caso de acidente. As 730 torres do novo sistema se extendem por 330 quilômetros, entre a hidrelétrica em Foz do Iguaçu e a subestação de Furnas em Ivaiporã, Região Central do Paraná. A obra custou R$ 100 milhões.
Segundo o diretor de Produção de Furnas no Paraná, o engenheiro José Mauricio Zaroni, as torres da nova linha, feitas de ferro galvanizado, foram projetadas para suportar ventos de até 190 quilômetros por hora. As torres dos dois sistemas atualmente em operação suportam ventos de 150 quilômetros por hora. Entre novembro de 1997 e abril de 1998, dois vendavais derrubaram, no trecho Foz-Ivaiporã, 17 torres, provocando racionamento nas regiões abastecidas por Itaipu.
Atualmente, Furnas desenvolve projetos para iniciar a implantação do segundo e último trecho do terceiro circuito, com cerca de 450 quilômetros, entre Ivaiporã e a substação de Tijuco Preto, em São Roque (a 40 quilômetros de São Paulo). A previsão é de que essa segunda etapa esteja concluída em meados de 2000.
Com a entrada em operação da terceira linha, Itaipu deverá aumentar a produção em 200 megawatts (energia suficiente para abastecer uma cidae com 1 milhão de habitantes). A medida possibilita que as nove turbinas em 60 hertz (a frequência brasileira) operem na carga máxima, atingindo 6,3 mil megawatts. Maior hidrelétrica do mundo, Itaipu produz 33% da energia destinada às Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste - onde se concentram 80% do consumo do País.
Por causa da impossibilidade de a energia transmitida pela terceira linha chegar à subestação de Tijuco Preto, técnicos de Furnas vão "desviá-la" para a Região Sul, por meio de uma interligação dos sistemas existentes na subestação de Ivaiporã. As duas linhas que seguem em direção a São Paulo compensarão essa transferência, enviando mais energia para as Regiões Sudeste e Centro-oeste.


