Furnas busca parcerias para crescer
Mônica Ciarelli
Agência Estado
Do Rio
O presidente de Furnas, Luiz Carlos Santos, quer transformar a estatal na Petrobras do setor de energia elétrica nos próximos anos. A intenção é aumentar o número de parceiras com empresas privadas, viabilizando investimentos antes limitados pela falta de recursos do governo federal.
Segundo Santos, o projeto é compatível com a privatização da empresa, prevista para o ano 2000. Não vamos ficar parados enquanto se estuda o modelo de venda da estatal. Para Santos, as parcerias valorizam os ativos da companhia e, consequentemente, o interesse dos investidores na hora da privatização de Furnas.
A empresa espera fechar, nos próximos sete anos, parcerias que viabilizem o investimento de US$ 11 bilhões no setor, sendo US$ 8 bilhões na área de geração e US$ 3 bilhões no segmento de transmissão. O crescimento da oferta de energia do País vai contribuir também para a redução dos preços das tarifas, disse Santos. Ontem, Furnas fechou um acordo de cooperação técnica com quatro empresas estrangeiras para estudar um modelo que eleve o suprimento de energia elétrica para a região Sudeste, a partir de 2004. O acordo prevê a construção de uma linha de transmissão de 2.300 quilômetros, pelo qual usinas térmicas a gás natural brasileiras utilizarão energia gerada na Bolívia.
O convênio foi assinado com a americana Cobee Energy Development, a japonesa Nissho Iwai Corp., a argentina Pan American Energy e a boliviana ICE Ingenieros.
O investimento total do projeto está orçado em US$ 2,5 bilhões, sendo que as companhias estrangeiras vão entrar com US$ 1,5 bilhão e a participação brasileira será de US$ 1 bilhão.
AbastecimentoO diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, rejeitou a possibilidade de falta de energia pelo baixo nível de água dos reservatórios das usinas hidrelétricas do Sul e Sudeste. Responsável pelo sistema de distribuição de eletricidade no País, Santos afirmou que o nível de água deve voltar a subir a partir de meados de dezembro. Ele participou do Congresso Nacional de Energia, no Rio.
Santos afirmou que o emprego da energia produzida na região Norte também evita o risco de pane no sistema. Outra medida foi negociar com as distribuidoras do Rio de Janeiro Light e Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro (Cerj) e Espírito Santo (Escelsa) a possibilidade de administrar a demanda de grandes consumidores.
Ele admitiu que os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste estão, em média, com 20% da sua capacidade total. Historicamente, é o nível mais baixo. No entanto, a quantidade ainda é suficiente para produção de eletricidade, e a partir da segunda quinzena, há previsão de mais chuva.
O diretor do ONS detalhou que o reservatório da Usina de Furnas, a principal da Bacia do Rio Grande, está com 7,7% de sua capacidade total de água. As reservas globais do Sudeste têm 26% de sua capacidade.Nesta posição, mesmo se parar de chover totalmente, ainda podemos gerar energia por um mês e meio.
Ele acrescentou que há previsão de o Sudeste e o Sul receberem 200 megawatts por hora de energia gerada pela Usina de Tucuruí, na região Norte. O diretor do ONS calculou que as medidas garantem, durante o verão, 500 megawatts por hora de energia de reserva.





