Furlan diz que recuperação do real não afeta exportação
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por João Fábio Caminoto (especial para a Agência Estado) 
Davos, 27 (AE) - O presidente do Conselho de Administração da Sadia, Luiz Eduardo Furlan, disse hoje à Agência Estado que a eventual recuperação do real diante do dólar não deverá afetar as exportações do setor de agrobusiness. "O problema não é com a cotação do dólar, mas sim com as cotações dos produtos, que caíram demais", disse. "O ganho de competitivade com a desvalorizacão do real foi ofuscado pelas quedas das cotações de produtos importantes."
Furlan está participando do Fórum Econômico Mundial em Davos
na Suíça. "E essa queda nas cotações foi acentuada, em parte, pelos próprios exportadores brasileiros, como do meu setor ou do setor açucareiro, por exemplo." Segundo ele, os temas mais importantes para o setor a serem discutidos em Davos são as negociações sobre os subsídios agrícolas que estão paradas na OMC e a polêmica questão dos alimentos transgênicos.
O presidente da Aliança Cooperativa Internacional, Roberto Rodrigues, disse hoje que será muito difícil que a questão dos subsídios agrícolas venha a ser discutida novamente este ano no âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC). Rodrigues, que integra a delegação brasileira em Davos, reuniu-se hoje com funcionários graduados da OMC em Genebra. "O horizonte para o avanço das negociações não é nada promissor, ainda mais do que depois do que aconteceu em Seattle, nos Estados Unidos, no final do ano passado. O pessoal da OMC está revendo sua estratégia para tentar estimular o retorno das negociações mas não está muito otimista", disse Rodrigues. "E logicamente, esse impasse não é nada bom para o Brasil."
Ele também comentou as especulações sobre a extensão da quebra da safra 2000/2001 do café no Brasil. "Pelo que sei, nos contatos que mantive com os produtores, a safra brasileira não passa das 26 milhões de sacas."


