Rio, 21 (AE) - O presidente da Sadia e da Associação dos Exportadores de Frango, Luis Fernando Furlan, defende a tese de que há espaço para acordos setoriais e negociações voluntárias, como o estabelecimento de cotas de exportação, entre os empresários da Argentina e do Brasil com vistas a minimizar o impacto da desvalorização do real na relação comercial entre os dois países. A proposta tem sido defendida por empresários argentinos.
Furlan lembrou que o setor de frango já fez em outubro um acordo fixando cotas voluntárias de embarques do Brasil para a Argentina e balizamento de preços mínimos para a negociação. Segundo ele, o que gerou o acordo foi o fato de as exportações, em setembro, terem crescido da média de cinco mil toneladas por mês para sete mil, criando forte impacto na indústria argentina, já que o Brasil responde por 8% do consumo de frango do país.
A argentina, em contrapartida, se comprometeu a retirar um pedido de investigação de dumping contra o Brasil. A medida fez com que, em outubro, as exportações ficassem em sete mil toneladas, mas que, nos meses seguintes, voltassem à média mensal histórica de cinco mil toneladas.
A tese do presidente da Sadia não é compartilhada, no entanto, pelo co-presidente da Primeira Reunião Oficial do Fórum Empresarial Mercosul União Européia e vice-presidente do Banco Sul América, Roberto Teixeira da Costa. Ele discorda da posição do empresariado argentino, que defende restrições voluntárias do Brasil em relação às exportações para a Argentina, e pede acordos setoriais para minimizar a competitividade dos produtos brasileiros a partir da desvalorização do real. Para ele, esse momento de crise não é o ideal para se discutir esse tipo de acordo porque o Brasil ainda precisa definir seu próprio rumo interno.
Furlan e Teixeira da Costa concordam, no entanto, que existe a necessidade de avaliação por um tempo mais longo do impacto da desvalorização do real. Furlan lembrou que existem determinadas limitações de volume de produção ou de demanda externa que restringem o ganho de competitividade. Para ele, esse ganho pode não ser proporcional à desvalorização. Na opinião do empresário da Sadia apenas em maio ou junho haverá uma análise sobre quais produtos da pauta de exportações brasileira serão beneficiados.
Teixeira da Costa destacou que é muito cedo para se ter uma avaliação precisa, no curto prazo, sobre o impacto da desvalorização do real frente ao dólar no comércio com a Argentina. Teixeira da Costa lembrou que os números da balança comercial de janeiro entre Brasil e Argentina não refletiram aumento das exportações do País para seu parceiro no Mercosul. "É muito cedo para identificar os reflexos", ressaltou. Para ele, é preciso avaliar ainda se os produtos brasileiros perderam competitividade com algumas mudanças internas e se essa perda minimizaria o impacto com a desvalorização do real. "Num primeiro momento, a situação pode parecer mais favorável ao Brasil, mas isso não é fato", disse.

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