Curitiba - Mais de 300 policiais federais do Rio de Janeiro, Brasília, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul participaram ontem de uma megaoperação para a prisão de magistrados, empresários, delegados de polícia, advogados e bicheiros envolvidos num esquema de exploração de jogos ilegais (principalmente de bingos e caça-níqueis). Foram cumpridos 25 mandados de prisão e 70 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Distrito Federal. Entre os presos está o desembargador José Eduardo Carreira Alvim, ex-vice-presidente do 2º Tribunal Regional Federal (TRF) do Rio de Janeiro e Espírito Santo. O gabinete do desembargador foi lacrado. Outros dois desembargadores foram presos, além do procurador regional da República, João Sérgio Pereira.
A Operação Hurricane (furacão, em inglês) foi desencadeada depois de um ano de investigações autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por conta da participação de desembargadores. Todos os presos são acusados de exploração ilegal de jogos, corrupção, tráfico de influência, formação de quadrilha, receptação e crimes contra a administração pública. O desembargador Carreira Alvim deixou essa semana a vice-presidência do TRF2. Ele integra os quadros da instituição desde 1993. Antes foi juiz-substituto do trabalho, procurador da República e juiz federal. A suspeita é a de que ele facilitaria o trânsito de ações judiciais que fossem favoráveis a quadrilha - que agiria em todo o Brasil. Já os policiais e delegados receberiam propina para fazer ''vistas grossas'' e permitir o funcionamento de caça-níqueis em Niterói (RJ). Eles recebiam R$ 50 mil mensais.

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